
No final de 2022, a comunidade tecnológica recebeu com algum entusiasmo a notícia de que a aplicação nativa de edição de texto do sistema operativo da gigante de Redmond iria receber uma funcionalidade há muito pedida: separadores. A ideia era simples e eficaz, permitindo aos utilizadores manterem-se organizados sem terem de abrir múltiplas janelas. Contudo, uma característica específica desta modernização acabou por estar no centro de uma polémica grave envolvendo um criador de conteúdos.
A memória persistente do software
Ao longo do tempo, a Microsoft continuou a adicionar funcionalidades ao renovado Bloco de Notas, exclusivo do seu sistema operativo mais recente. Uma dessas capacidades é o guardado automático do estado dos separadores e de conteúdo não guardado. Isto permite que o utilizador feche a aplicação e a volte a abrir mais tarde, encontrando tudo exatamente como deixou, sem perder os dados da sessão anterior.
Embora útil para a produtividade, esta persistência de dados acabou por expor o streamer Lacari, conhecido nas plataformas Twitch e Kick. Durante uma transmissão em direto realizada ontem, o criador de conteúdos mostrou acidentalmente o seu ecrã, revelando uma janela do Bloco de Notas aberta com vários separadores.
Suspensão imediata após revelação perturbadora
O problema não foi a aplicação em si, mas o conteúdo visível. Os espectadores notaram rapidamente que dois dos separadores abertos pareciam conter ligações para materiais de abuso sexual de menores (CSAM), com uma das páginas a exibir o que parecia ser um link da dark web para aceder a esse tipo de conteúdo ilícito.
A reação das plataformas foi célere. Poucas horas após o incidente, e com os clipes a circularem rapidamente pelas redes sociais, o canal de Lacari na Twitch foi suspenso, apresentando agora uma mensagem de indisponibilidade por violação das diretrizes da comunidade. A Kick seguiu o mesmo caminho, removendo a conta do streamer da sua plataforma.
A defesa: Culpa do malware e do sistema operativo
Perante a gravidade da situação, Lacari veio a público defender-se, alegando que os ficheiros não foram criados ou guardados intencionalmente por ele. Segundo a sua explicação, o conteúdo terá sido descarregado por malware enquanto navegava num site.
O streamer insistiu que, ao aperceber-se do conteúdo do ficheiro de texto, o eliminou imediatamente do computador. No entanto, apontou o dedo ao Windows e à sua funcionalidade de restauro de sessão. Segundo Lacari, mesmo após ter apagado o ficheiro do disco, a aplicação manteve o conteúdo em cache no separador aberto, expondo-o assim que o programa foi executado novamente durante a transmissão.
Apesar da tentativa de atribuir responsabilidades ao funcionamento do software e a software malicioso, as plataformas de streaming mantiveram as suas sanções, conforme discutido amplamente pela comunidade no Reddit.












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