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O processo judicial que investiga se as redes sociais são prejudiciais e viciantes para os jovens trouxe a público novas revelações. Os procuradores questionaram recentemente os motivos que levaram o Instagram a demorar tanto tempo para implementar ferramentas básicas de proteção, como o filtro de nudez nas mensagens privadas dos adolescentes. Esta funcionalidade, que desfoca automaticamente imagens explícitas, apenas foi lançada em abril de 2024, apesar de a empresa já ter conhecimento do problema quase seis anos antes.

Alertas internos e a exposição dos jovens

Durante um depoimento revelado no tribunal federal, o responsável pela plataforma, Adam Mosseri, foi confrontado com uma troca de e-mails de agosto de 2018 com Guy Rosen, diretor de segurança da informação da Meta. Nas mensagens, ambos reconheciam que situações horríveis, incluindo a partilha de fotografias íntimas não solicitadas, poderiam ocorrer através do sistema de mensagens da aplicação. Além disso, foi também mencionado um e-mail de 2017 onde um estagiário sugeria identificar utilizadores viciados para tentar ajudá-los.

O testemunho expôs estatísticas internas preocupantes sobre o impacto da plataforma. Segundo os dados apresentados, 19,2% dos inquiridos entre os 13 e os 15 anos afirmaram ter visto nudez ou imagens sexuais indesejadas na aplicação. Adicionalmente, 8,4% dos jovens nessa faixa etária relataram ter visto alguém a automutilar-se ou a ameaçar fazê-lo nos últimos sete dias de utilização. O objetivo dos e-mails de 2018 apresentados foi demonstrar que a empresa estava ciente dos riscos, incluindo táticas de aliciamento por adultos, mas demorou até 2024 para agir concretamente.

A defesa da empresa perante as acusações

Em sua defesa face às questões de ausência de monitorização ativa nas mensagens, Adam Mosseri argumentou que é possível enviar conteúdos problemáticos em qualquer aplicação de mensagens e que a empresa tentou sempre equilibrar o direito à privacidade com a necessidade de segurança, para além da remoção de material de abuso sexual infantil. Por sua vez, Liza Crenshaw, porta-voz da empresa, sublinhou que ao longo de mais de uma década têm trabalhado com especialistas para implementar mudanças significativas, dando como exemplo a recente introdução das contas para adolescentes com proteções integradas e controlos parentais.

Este depoimento insere-se num conjunto mais alargado de processos judiciais nos Estados Unidos, a decorrer na Califórnia, Los Angeles e Novo México, que envolvem também plataformas como o Snap, TikTok e o YouTube. Os advogados de acusação procuram provar que as gigantes tecnológicas priorizaram o crescimento de utilizadores e o aumento do tempo de ecrã em detrimento da segurança dos menores, num caso detalhado de perto pelo TechCrunch.

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