
Os preços da memória DRAM estão a atravessar uma fase de subida sem precedentes no mercado. Segundo as projeções mais recentes da consultora TrendForce, este fenómeno está a redefinir por completo o custo de produção para sistemas de inteligência artificial, computadores e portáteis neste primeiro trimestre de 2026.
A análise aponta que as previsões para os primeiros três meses do ano foram revistas em alta. Inicialmente, estimava-se um aumento entre 55% e 60% para os contratos de DRAM convencional, mas os novos dados indicam uma subida de 90% a 95% em comparação com o último trimestre de 2025. Na prática, isto traduz-se numa quase duplicação do custo da memória RAM num espaço de tempo de apenas três meses.
Aumento drástico nos computadores e equipamentos móveis
O segmento dos computadores de secretária é um dos mais afetados pela atual conjuntura. Os preços dos módulos DDR4 e DDR5 podem mesmo ultrapassar a marca dos 100% de aumento intertrimestral até ao final de março de 2026. Este é considerado o maior salto registado na história recente deste mercado, surgindo numa altura em que a Europa começava a demonstrar sinais de recuperação económica.
A pressão sobre as linhas de fornecimento estende-se igualmente aos dispositivos móveis. As variantes LPDDR4X e LPDDR5X, amplamente utilizadas em computadores portáteis e telemóveis, têm aumentos previstos na ordem dos 88% a 93% nos seus contratos de fornecimento, deixando estes equipamentos igualmente expostos à tendência de subida de custos.
Inteligência artificial seca os inventários do mercado
O principal motivo para esta escalada de preços reside no forte desequilíbrio entre a oferta e a procura. A necessidade massiva de infraestruturas para a nuvem e para a inteligência artificial leva a que os fabricantes concentrem a sua produção nos segmentos mais rentáveis do momento, como as tecnologias GDDR7 e HBM. Consequentemente, a capacidade de fabrico para a DRAM de consumo fica escassa, inflacionando os valores de forma inesperada.
Atualmente, os fabricantes de equipamentos originais encontram-se sem reservas estratégicas e enfrentam enormes pressões nos custos de produção. A HP comentou recentemente esta situação, referindo que a memória já representa cerca de 33% do orçamento total de construção de um computador atual, um valor incomportável para o consumidor médio.
Sem alternativas de fornecimento mais económico, as empresas veem as suas margens de lucro cada vez mais comprimidas. Como resultado direto desta restrição na oferta e foco no setor da inteligência artificial, é expectável que grande parte desta fatura seja transferida para os consumidores, encarecendo de forma visível o preço final dos computadores e portáteis ao longo de 2026.












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