
A presença de conteúdos gerados por ferramentas autónomas nas plataformas de streaming é uma realidade cada vez mais notória, e a Apple decidiu dar um novo passo para lidar com esta questão. O serviço Apple Music introduziu recentemente novas etiquetas de transparência, desenhadas para informar os ouvintes sempre que qualquer elemento de uma obra tenha sido gerado, total ou parcialmente, através de inteligência artificial.
De acordo com uma nota partilhada com parceiros da indústria e revelada pela Music Business Worldwide, estas novas marcações vão funcionar de forma semelhante aos metadados já existentes para os títulos, género musical ou nome do artista. Na prática, a plataforma passará a sinalizar faixas, composições, vídeos musicais e até mesmo o grafismo das capas que tenham tido intervenção de inteligência artificial.
A responsabilidade fica do lado das editoras
Apesar de ser um passo importante para a transparência no setor, a nova medida da empresa de Cupertino conta com um detalhe relevante: a implementação destas marcações não é automática. A plataforma deixa a decisão de criar e aplicar estas etiquetas inteiramente nas mãos das editoras e dos distribuidores.
A empresa sublinha que a sinalização correta dos conteúdos é o primeiro passo para fornecer à indústria musical as ferramentas necessárias para desenvolver políticas ponderadas em torno da inteligência artificial. No entanto, o facto de depender da boa vontade de quem submete as faixas, aliada à ausência de um mecanismo claro de verificação ou punição por parte da plataforma, levanta algumas questões sobre a eficácia do sistema. Esta abordagem voluntária assemelha-se bastante à estratégia que também foi adotada pelo Spotify recentemente.
O contraste com a concorrência no mercado de streaming
Ao contrário destas políticas opcionais, outras plataformas de música têm optado por métodos mais proativos. Serviços como o Bandcamp e a Deezer já recorrem a ferramentas internas de deteção para sinalizar conteúdos sintéticos, independentemente de os distribuidores os declararem ou não.
O impacto destas ferramentas é notório. Apenas em janeiro de 2026, a Deezer revelou que estava a receber diariamente mais de 60 mil faixas criadas inteiramente por inteligência artificial, um número que representa o dobro do que tinha sido registado em setembro de 2025. Até ao momento, a plataforma já contabilizou cerca de 13,4 milhões de faixas deste género no seu catálogo, evidenciando o crescimento explosivo da música gerada por algoritmos no mercado digital.












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