1. TugaTech » Internet e Redes » Noticias da Internet e Mercados
  Login     Registar    |                      
Siga-nos

Google Discover

Durante o evento Google Search Central Live em Zurique, no último mês de dezembro, o papel do Discover foi um dos temas em destaque. Numa altura em que a inteligência artificial tem vindo a alterar a forma como acedemos à informação, esta plataforma mantém-se como uma das principais fontes de tráfego que tem resistido a essa invasão, oferecendo novas oportunidades não apenas para os meios de comunicação, mas também para marcas e comércio eletrónico.

De acordo com uma análise do Press Gazette, a plataforma é agora responsável por 68% do tráfego proveniente da Google para dois mil portais de media globais, deixando a pesquisa tradicional com apenas 32%. Numa recente entrevista no canal IMHO, Clara Soteras, professora na Universidade Autónoma de Barcelona e especialista em estratégia digital, detalhou as dinâmicas atuais deste meio e o que funciona realmente em 2026.

A dependência perigosa do tráfego orgânico

Apesar de ser o principal canal de aquisição de público para muitos, encarar o Discover como uma extensão da pesquisa clássica é um erro frequente. A especialista alerta que os fatores de posicionamento são bastante distintos, exigindo uma forte aposta em elementos como a localização, imagens apelativas e títulos bem estruturados. Além disso, os temas de estilo de vida, desporto e cultura tendem a ter um desempenho consideravelmente superior à política.

No entanto, existe um risco real em colocar todas as fichas neste cesto. John Mueller reforçou em Zurique uma mensagem que tem vindo a ser repetida aos publicadores: este volume de acessos é gratuito, mas pode desaparecer de um dia para o outro. Esta volatilidade passiva obriga os projetos a diversificarem as suas fontes, apostando na fidelização através de redes sociais e na criação de comunidades em torno dos seus conteúdos, em vez de dependerem em absoluto de um algoritmo imprevisível.

Como as marcas podem conquistar o seu espaço

Uma das perspetivas mais interessantes partilhadas pela docente passa pela aplicação de métodos de redação jornalística em sites de marcas. Atualmente, o feed permite que os utilizadores sigam entidades específicas, desde criadores de conteúdo a perfis no YouTube ou no Instagram, o que abre uma janela de oportunidade única para o setor comercial.

Enquanto a pesquisa tradicional serve quem já sabe o que procura, o Discover consegue colocar os produtos à frente de pessoas que ainda não sabiam que precisavam deles. Para ter sucesso neste campo, as marcas devem monitorizar as tendências diárias e criar conteúdos que liguem os seus serviços aos temas do momento. A estratégia ideal passa por construir a autoridade da entidade ao longo do tempo, utilizando títulos com mais de treze palavras e imagens estrategicamente escolhidas.

O impacto negativo do conteúdo artificial

Com a proliferação das novas tecnologias gerativas, surge a preocupação sobre o domínio de textos automáticos nas recomendações. Andy Almeida, da equipa de confiança e segurança, indicou recentemente que quase 20% dos sites sugeridos no feed são gerados por sistemas automatizados.

Apesar de este conteúdo conseguir chegar ao público, a realidade é que não apresenta bons resultados práticos e a empresa está a aplicar penalizações manuais a quem publica material puramente automático ou notícias falsas. A especialista partilhou o caso de um cliente em que um artigo gerado com ferramentas básicas alcançou apenas 100 visualizações, enquanto uma peça redigida por um humano chegou rapidamente às 12 mil. As ferramentas digitais podem auxiliar no planeamento, mas a redação final precisa do toque humano para ser recompensada.

A barreira contra os resumos automáticos

Olhando para 2026, com os resumos gerados por inteligência artificial a consumirem as respostas a dúvidas informativas, a verdadeira oportunidade reside na informação em tempo real. Os dados recolhidos confirmam que o jornalismo de última hora mantém uma visibilidade e um destaque no módulo de notícias principais que as máquinas ainda não conseguem substituir na sua totalidade. O diferencial competitivo continua a depender do discernimento editorial, da especialização humana e da capacidade de reagir de forma rápida e precisa ao que importa no momento.

Foto do Autor

Aficionado por tecnologia desde o tempo dos sistemas a preto e branco

Ver perfil do usuário Enviar uma mensagem privada Enviar um email Facebook do autor Twitter do autor Skype do autor

conectado
Encontrou algum erro neste artigo?



Aplicações do TugaTechAplicações TugaTechDiscord do TugaTechDiscord do TugaTechRSS TugaTechRSS do TugaTechSpeedtest TugaTechSpeedtest TugatechHost TugaTechHost TugaTech