
A quantidade colossal de informação gerada pela IA está a forçar a indústria tecnológica a repensar a forma como guardamos ficheiros. E a resposta pode estar na própria biologia. Segundo detalhado pela IMEC, a empresa formou uma aliança com a Atlas Data Storage para criar sistemas de retenção digital baseados em ADN sintético.
A ideia pode parecer saída de um filme de ficção científica, mas é uma realidade em pleno desenvolvimento. O objetivo é criar uma solução permanente e de altíssima densidade para responder às exigências crescentes do nosso mundo conectado.
Um grama de ADN para guardar o mundo
Esta nova frente tecnológica de armazenamento oferece uma densidade largamente superior a qualquer método atual, quer falemos de um disco rígido tradicional ou de um disco de estado sólido. Para se ter uma noção da escala, as empresas afirmam que apenas um grama de ADN consegue guardar centenas de petabytes de informação. Além disso, quando conservados de forma correta, estes dados mantêm-se estáveis durante milhares de anos sem perder qualidade, superando a longevidade de suportes como o vidro.
A colaboração junta a experiência da IMEC em nanofabricação e tecnologias CMOS com o design de hardware e os sistemas de síntese molecular criados pela Atlas. O plano passa por construir uma plataforma capaz de escrever dados digitais diretamente em moléculas de ADN. Este processo será executado em paralelo e controlado por chips específicos, funcionando como uma espécie de escáner que, em vez de gravar numa bolacha de silício, introduz a informação a nível celular.

Os desafios da produção em massa
Apesar de todo o seu potencial, o método molecular enfrenta obstáculos de peso, nomeadamente a lentidão do processo de leitura e escrita, bem como os custos elevadíssimos associados à síntese. A infraestrutura necessária ainda não está pronta para operar a uma escala comercial fiável.
É aqui que entra a importância deste esforço conjunto: a proposta passa por integrar matrizes nanoeletroquímicas super densas em chips CMOS de nova geração. Isto permite gerir milhões de locais de síntese de ADN em simultâneo, aumentando drasticamente a quantidade de material produzido em cada ciclo. A Atlas já demonstrou o conceito através da sua plataforma Eon, que propõe guardar cerca de 60 PB de dados num único litro de material feito com ADN.
As últimas estimativas do mercado apontam para que a quantidade de informação digital atinja os 200 zettabytes em 2035, aproximando-se do yottabyte na década seguinte. Devido aos custos atuais, os primeiros usos desta tecnologia deverão focar-se no arquivo permanente de dados históricos e cruciais, onde a durabilidade extrema compensa a menor velocidade de acesso quando comparada com os computadores tradicionais de hoje.












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