
A Salesforce não poupou esforços para convencer os investidores de que a revolução da inteligência artificial não será o seu fim, apresentando na quarta-feira resultados robustos referentes ao quarto trimestre.
A gigante tecnológica reportou um trimestre sólido com 10,7 mil milhões de dólares em receitas, o que representa um aumento de 13% em relação ao período homólogo do ano anterior. No cômputo anual, a empresa registou 41,5 mil milhões de dólares, uma subida de 10%. Estes resultados foram significativamente impulsionados pela aquisição da empresa de gestão de dados Informatica por 8 mil milhões de dólares, concretizada em maio passado. O lucro líquido fixou-se nos 7,46 mil milhões de dólares.
A empresa apresentou também previsões fortes para o ano em curso, estimando receitas entre os 45,8 e 46,2 mil milhões de dólares (um aumento de 10% a 11%). Além disso, revelou que a sua "obrigação de desempenho remanescente" ultrapassa os 72 mil milhões de dólares, um valor que reflete as receitas sob contrato que ainda não foram entregues ou reconhecidas.
O combate ao "SaaSpocalypse" e a nova aposta nos agentes de IA
Apesar da solidez financeira, os números por si só não dissipam todas as dúvidas do mercado. As ações das empresas de "Software-as-a-Service" (SaaS) têm sido fortemente castigadas recentemente, com os investidores a temerem que a ascensão dos agentes de IA torne obsoleto o tradicional modelo de negócio baseado na subscrição por utilizador. O cenário, apelidado de "SaaSpocalypse", esteve de tal forma presente na apresentação que o diretor executivo, Marc Benioff, mencionou o termo pelo menos seis vezes.
Para provar a sua vitalidade, a empresa lançou vários trunfos: aumentou os dividendos em quase 6% (para 0,44 dólares por ação) e anunciou um novo programa de recompra de ações no valor de 50 mil milhões de dólares, uma medida popular entre os acionistas. A própria estrutura da habitual chamada de apresentação de resultados foi alterada. Em vez de se focar apenas nas métricas financeiras, Benioff entrevistou em vídeo diretores executivos de clientes como a SharkNinja, Wyndham Hotels and Resorts e SaaStr, que testemunharam o impacto positivo dos novos produtos de agentes da Salesforce nos seus negócios.
Uma nova métrica de trabalho e a resposta à concorrência
A Salesforce introduziu ainda uma nova métrica para os seus produtos focados em inteligência artificial: as "Agentic Work Units" (AWU). Em vez de contabilizar apenas os tradicionais "tokens" — a unidade padrão de processamento na qual a empresa registou 19 biliões no último trimestre —, a AWU tenta medir algo com maior utilidade prática para o mundo empresarial: verificar se um agente concluiu efetivamente uma tarefa ou se produziu um registo útil.
Além desta novidade, a empresa detalhou a sua visão arquitetónica para o futuro dos agentes autónomos. A perspetiva da Salesforce coloca o software SaaS a dominar a camada principal da infraestrutura tecnológica, relegando os criadores de modelos de IA para a base como meros motores de trabalho banalizados e invisíveis. Esta posição surge como um contraponto direto à visão apresentada no início do mês pela OpenAI com o seu agente empresarial Frontier, onde os fornecedores de plataformas SaaS ficariam na base do sistema.
Para selar a apresentação com uma imagem de força e domínio no panorama atual, Marc Benioff surgiu vestido com um blusão de cabedal preto, adotando o icónico estilo visual de Jensen Huang, o diretor executivo da Nvidia, conforme relata a publicação TechCrunch.












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