
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou a todas as agências federais que cessem imediatamente a utilização dos produtos da Anthropic, a empresa criadora da inteligência artificial Claude. A decisão surge no seguimento da recusa da tecnológica em assinar um novo acordo com os militares norte-americanos.
Numa publicação na plataforma Truth Social, o líder norte-americano acusou a empresa de tentar forçar o Pentágono a obedecer aos seus termos de serviço em vez de seguir a constituição do país, classificando a tecnológica como uma empresa de extrema-esquerda. A ordem inclui um período de transição de seis meses para que as agências governamentais abandonem os sistemas da marca.
O conflito com o Pentágono
A raiz deste desentendimento está num memorando de janeiro assinado pelo Secretário da Defesa, Pete Hegseth. O documento exige que as empresas de tecnologia aceitem "qualquer uso legal" das suas ferramentas por parte dos militares. Na prática, este acordo permite a utilização de inteligência artificial para vigilância doméstica em massa e para o desenvolvimento de armas autónomas letais, sistemas capazes de identificar e abater alvos sem intervenção humana no processo de decisão.
Dario Amodei, o diretor executivo da empresa, recusou assinar os novos termos. Numa declaração pública durante a semana, o responsável afirmou que a tecnológica não pode, em boa consciência, aceder ao pedido, sublinhando que num conjunto restrito de casos, a inteligência artificial pode minar, em vez de defender, os valores democráticos. A empresa reiterou que nunca se opôs a operações militares específicas, mas rejeita a utilização da sua tecnologia de forma indiscriminada.
A posição das rivais e os próximos passos
Enquanto o impasse se mantém, outras empresas do setor parecem ter tomado caminhos diferentes. Relatos indicam que a OpenAI e a xAI já terão concordado com as novas exigências do governo, embora a primeira esteja a tentar negociar com o Pentágono para adotar limites semelhantes aos impostos pela sua rival.
Apesar da retórica dura por parte do governo, Dario Amodei garantiu que a sua equipa irá colaborar para permitir uma transição suave para outro fornecedor, com o objetivo de evitar qualquer interrupção no planeamento militar e noutras missões críticas. Donald Trump, por seu turno, deixou um aviso claro, afirmando que usará todo o poder da presidência para forçar o cumprimento da ordem durante a fase de transição, sob pena de existirem grandes consequências civis e criminais.












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