
A crescente necessidade de computadores e centros de dados para alimentar sistemas de Inteligência Artificial está a provocar uma escassez massiva de RAM, empurrando os preços da memória para valores acentuadamente mais altos. O impacto disto já se faz sentir: os telemóveis vão ficar mais caros e a distribuição global de equipamentos deverá registar a maior quebra da última década.
De acordo com os relatórios das empresas de análise IDC e Counterpoint, prevê-se que os envios de smartphones afundem entre 12% e 12,9% em 2026. Para colocar os números em perspetiva, depois de a indústria ter atingido a marca de 1,26 mil milhões de unidades expedidas em 2025, as projeções indicam que esse valor vai cair para apenas 1,12 mil milhões no decurso deste ano.
O impacto brutal nos preços e nas vendas
Esta crise de memória não vai representar apenas um percalço passageiro. Nabila Popal, diretora de pesquisa da IDC, explicou que a situação marca um reinício estrutural de todo o mercado, redefinindo o panorama dos fabricantes. Devido à escassez, estima-se que o preço médio de venda de um telemóvel suba cerca de 14%, fixando um recorde de 523 dólares (cerca de 485 euros) este ano.

O aumento dos custos de produção pode mesmo tornar os equipamentos abaixo dos 100 dólares financeiramente inviáveis de produzir, expulsando do mercado as fabricantes que se focam nestas opções extremamente económicas. Geograficamente, os envios no Médio Oriente e em África vão cair mais de 20%, enquanto a China e a região Ásia-Pacífico enfrentarão quebras na ordem dos 10,5% e 13,1%, respetivamente.
A Counterpoint acrescenta que os telemóveis de entrada de gama serão os mais afetados. Enquanto os equipamentos premium deverão manter alguma resiliência, os modelos abaixo dos 200 dólares vão registar um tombo de 20%, impulsionado pelo facto de a oferta de chips LPDDR4 estar a diminuir muito mais depressa do que o antecipado.

O fim dos telemóveis baratos?
As consequências destas falhas na cadeia de fornecimento vão estender-se até ao segundo semestre de 2027, altura em que o preço da memória deverá estabilizar. Entretanto, os fabricantes já estão a reagir com adiamentos de lançamentos e compromissos nas especificações. O analista principal da Counterpoint, Yang Wang, notou que já em janeiro de 2026 se observaram aumentos de preços entre os 10% e os 20% nos portefólios de algumas marcas Android.
Carl Pei, diretor executivo da Nothing, já tinha deixado o aviso no início do ano. O responsável sublinhou que as marcas enfrentam agora a difícil escolha de subir os preços em 30% ou sacrificar a qualidade técnica dos aparelhos, ditando o fim do modelo de negócio assente em "mais especificações por menos dinheiro".
Como resultado imediato de todas estas subidas de preço nos aparelhos novos, os analistas preveem que os consumidores se voltem cada vez mais para o mercado de equipamentos em segunda mão e recondicionados.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!