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O governo canadiano, liderado pelo primeiro-ministro Mark Carney, decidiu aliviar as restrições e começou a emitir as primeiras licenças de importação ao abrigo de um recente acordo negociado com a China. Entre 1 de março e 31 de agosto deste ano, serão emitidas até 24 500 licenças que permitem aos fabricantes automóveis importar os seus veículos elétricos com uma taxa alfandegária de apenas 6,1%, uma descida drástica face aos anteriores 106,1%.

A atribuição destas autorizações será feita por ordem de chegada, segundo informou a entidade responsável, a Global Affairs Canada. Não existe um limite máximo fixo por fabricante, mas o Ministério dos Negócios Estrangeiros do país garantiu que o processo será monitorizado para assegurar um acesso justo.

Um limite de 49 mil viaturas num ano

Em janeiro, as duas nações alcançaram um entendimento fundamental para permitir a entrada de até 49 mil veículos elétricos chineses no mercado do Canadá com a tarifa reduzida de 6,1% no espaço de um ano. Este número não foi escolhido ao acaso, correspondendo ao volume de importações registado antes dos recentes conflitos comerciais. Recorde-se que, em 2024, o Canadá seguiu os passos dos Estados Unidos e aplicou taxas adicionais de 100% sobre estas importações, o que paralisou quase por completo as vendas destas marcas no país.

A partir do veículo número 49 001, a taxa especial de 100% volta a ser aplicada. No entanto, o plano prevê que a quota aumente gradualmente até atingir as 70 mil unidades em 2030. Esta medida abrange viaturas 100% elétricas, híbridas e híbridas plug-in. O foco do Canadá parece estar nos modelos mais acessíveis, esperando-se que, num prazo de cinco anos, mais de metade destes automóveis cheguem ao consumidor por menos de 35 mil dólares canadianos, o equivalente a cerca de 22 100 euros.

Uma segunda fase de candidaturas já está agendada para o período entre 1 de setembro de 2026 e 28 de fevereiro de 2027, libertando mais 24 500 vagas, às quais se somarão as licenças que não tenham sido utilizadas na primeira janela.

Investimentos na indústria e contrapartidas na agricultura

As autoridades canadianas sublinham que este acordo não se foca apenas na venda de automóveis. O objetivo é atrair novos investimentos de empresas chinesas em parcerias locais, protegendo e criando empregos na área da manufatura e reforçando a cadeia de abastecimento de componentes elétricos no Canadá. O país é rico em matérias-primas e energia verde, e tem procurado manter no seu território o processamento destes materiais, colaborando até agora sobretudo com marcas dos EUA, Europa e outras partes da Ásia, com projetos como a fábrica da Volkswagen no Ontário ou a parceria entre a Stellantis e a LG Energy Solution.

O pacto engloba ainda a expansão de tecnologias de armazenamento de energia, energia solar e eólica. Em troca desta abertura, Pequim comprometeu-se a reduzir as barreiras comerciais, com especial destaque para o setor agrícola. A partir de 1 de março, a taxa sobre as importações de colza canadiana cai dos atuais 85% para cerca de 15%. Além disso, produtos como lagosta, caranguejos e ervilhas ficarão isentos de tarifas antidiscriminatórias entre 1 de março de 2026 e, pelo menos, o final do ano, conforme aponta a informação avançada pela CBT News.

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