
Montar um computador está a tornar-se uma tarefa cada vez mais dispendiosa. O aumento generalizado dos preços não afetou apenas a memória RAM em outubro de 2025, mas estendeu-se a componentes essenciais como discos rígidos, SSDs e as próprias placas gráficas. Esta escalada teve um impacto direto e visível nas vendas globais da indústria.
O peso da inflação nos componentes
Durante muito tempo, os consumidores habituaram-se a ver o custo do hardware descer à medida que as tecnologias amadureciam. No ano passado, era possível encontrar 32 GB de memória DDR5 por pouco mais de 100 euros, antes de a elevada procura para o setor da inteligência artificial inflacionar drasticamente os valores. O mesmo aconteceu com os SSDs, que chegaram a igualar os discos mecânicos tradicionais em preço, mas que agora exigem orçamentos muito mais elevados.
No segmento das placas gráficas, a situação prolonga-se há alguns anos. Após os problemas de stock iniciais das mais recentes gamas RTX 50, o mercado sofreu com novos aumentos contínuos. Entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, modelos de topo como a RTX 5090 registaram uma subida impressionante de 54%, um cenário inflacionista que se refletiu de forma idêntica nos catálogos da AMD e da Intel.

Quebra nas expedições globais
O desinteresse geral face aos preços elevados materializou-se rapidamente nos resultados do mercado. Segundo os dados revelados pela Jon Peddie Research, os envios de placas gráficas recuaram 3,3% no quarto trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período do ano transato. Se a análise for feita face ao terceiro trimestre de 2025, a queda situa-se nos 1,3%.
Detalhando pelas diferentes categorias de mercado, as variantes para computadores de secretária sofreram um declínio de 1,1%, enquanto os modelos desenvolvidos para equipamentos portáteis registaram uma quebra ainda mais acentuada de 5,2%.
Mudanças na liderança do mercado
O final de 2025 trouxe também mexidas importantes na quota de mercado global, que engloba quer as soluções gráficas integradas quer as dedicadas. A NVIDIA viu a sua presença recuar 1,4%, passando dos habituais 24% para os 23%. A Intel seguiu a mesma tendência negativa, perdendo 1,2% de terreno para se fixar agora nos 59%.
O grande destaque vai inteiro para a AMD, que absorveu exatamente a fatia de mercado deixada livre pelas duas empresas rivais. Com um crescimento de 2,6%, a marca subiu dos 15% para os 18%. Este impulso deve-se essencialmente ao aumento das vendas das suas gráficas dedicadas e ao enorme sucesso das consolas de videojogos portáteis, que utilizam quase na sua totalidade APUs desenvolvidas pela fabricante.
Num cenário paralelo, os centros de dados continuam a prosperar, com as soluções para este setor específico a crescerem 17% entre o terceiro e o quarto trimestre. No cômputo global, foram vendidas 756 milhões de unidades gráficas durante os últimos três meses de 2025. Já os processadores fixaram-se nos 66,8 milhões de unidades, apresentando um recuo anual de 9,4%, mas uma ligeira subida trimestral de 2,7%, com a esmagadora maioria (69%) a destinar-se ao cobiçado segmento dos computadores portáteis.












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