
Simon Chen, presidente da ADATA, deixou um aviso preocupante para a indústria tecnológica: as reservas de memória DRAM estão a esgotar-se rapidamente. Segundo as informações avançadas pelo portal IT Home, o inventário dos grandes fabricantes caiu para níveis muito próximos da linha de alerta. A grande culpada é a sede insaciável da inteligência artificial e dos centros de dados, que estão a absorver a oferta a um ritmo fora do normal.
A tempestade perfeita nos centros de dados
Na prática, o mercado ficou sem a almofada de memória DRAM que costuma estabilizar a indústria. Com a construção massiva de infraestruturas para suportar a IA, gigantes como a OpenAI, Google e Microsoft estão a comprar grande parte do fornecimento global. Fabricantes como a Samsung, SK Hynix e Micron direcionaram quase toda a sua produção para soluções de centros de dados, onde as margens de lucro são muito superiores.
Como resultado, não é apenas a DRAM a sofrer. O setor do armazenamento também regista fortes impactos, com o mercado das memórias NAND (usadas em SSDs empresariais) e até os discos rígidos mecânicos a sentirem uma procura elevada por parte dos fornecedores de serviços na cloud. Sempre que os preços disparam, as indústrias compram por antecipação para garantir o fornecimento.
ADATA jogou na antecipação e lucra com a crise
Enquanto o mercado de consumo abranda o ritmo de compras por não querer pagar os preços atuais, nos centros de dados o cenário é diferente: o hardware é comprado independentemente do custo, apenas para garantir que as empresas não ficam atrás da concorrência.

Apesar deste caos, a ADATA encontra-se numa posição bastante confortável. A empresa revelou que começou a acumular stock em setembro de 2025 e conta fechar o mês de março com mais de 950 milhões de euros em inventário. Como grande parte destes componentes foi adquirida a custos bastante inferiores aos praticados agora, o CEO da empresa demonstra um grande otimismo para 2026, com a perspetiva de que as suas margens de lucro disparem à boleia dos novos preços.
Preços duplicam e afundam o mercado de consumo
Os dados da agência TrendForce mostram a verdadeira dimensão do problema. Durante o primeiro trimestre de 2026, o preço da DRAM registou um aumento entre os 90% e os 95% face ao trimestre anterior. Já a tecnologia NAND Flash sofreu um encarecimento na ordem dos 60%. Esta volatilidade faz com que os acordos de fornecimento de DRAM cheguem a ser renegociados quase semanalmente, ao contrário dos contratos anuais que ainda se veem no armazenamento NAND.
No centro do furacão está a memória HBM, a mais procurada para os aceleradores de IA da NVIDIA e de outros fabricantes. A prioridade dada à sua produção limitou ainda mais as linhas de montagem da DRAM tradicional. A procura é de tal ordem que a SK Hynix confirmou, no final de outubro de 2025, que toda a sua produção de DRAM e NAND Flash estava já esgotada e reservada até 2027.
Este aumento brutal nos custos tem consequências diretas para os consumidores comuns. O mercado dos computadores, consolas e telemóveis, especialmente nos segmentos de entrada e gama média, perdeu a capacidade de absorver estes aumentos. Devido a isto, as previsões apontam para uma queda de 12,9% nos envios globais de smartphones em 2026, com o preço médio destes equipamentos a atingir um valor recorde de 523 dólares.












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