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Notas de euro

A União Europeia vai aplicar um teto máximo de 10 mil euros para pagamentos em numerário em transações comerciais a partir de 2027. A medida integra um novo pacote de ações contra o branqueamento de capitais e o financiamento do terrorismo, visando aumentar a fiscalização sobre grandes movimentações financeiras. Conforme estabelecido no Regulamento (UE) 2024/1624, o dinheiro físico continuará a circular normalmente no quotidiano de todos os cidadãos, mas os negócios de valor elevado vão passar a exigir uma maior rastreabilidade.

O impacto das novas regras no comércio

Se costuma andar com a carteira recheada de notas para fazer grandes compras, saiba que a partir do verão de 2027 a vida comercial vai mudar um pouco. Quem pretender adquirir um automóvel num stand, liquidar uma obra de valor elevado ou contratar serviços profissionais acima dos 10 mil euros terá obrigatoriamente de recorrer a meios de pagamento eletrónicos ou bancários. Cartões, transferências ou cheques nominativos passam a ser a norma para estes montantes, de forma a evitar que capitais de origem duvidosa circulem sem deixar rasto.

Por outro lado, as transações financeiras efetuadas estritamente entre particulares, como a venda de um veículo usado entre cidadãos sem qualquer atividade comercial envolvida, ficam em princípio fora do âmbito desta limitação europeia. A intenção de Bruxelas foca-se em combater a economia paralela e a evasão fiscal no território da Europa, sem que isso signifique o fim das moedas e notas físicas para o consumo regular dos cidadãos.

A realidade atual e mais restrita em Portugal

Para os consumidores portugueses, esta nova diretiva europeia não trará qualquer surpresa ou impacto prático no dia a dia. A legislação nacional em vigor em Portugal já é bastante mais apertada do que o novo limite comunitário. Desde 2017 que os pagamentos em numerário iguais ou superiores a 3 mil euros estão totalmente proibidos em diversas transações comerciais dentro do território português.

Desta forma, a barreira europeia de 10 mil euros acaba por ser bem mais permissiva do que a regra que os cidadãos nacionais já cumprem há quase uma década quando usam a tecnologia financeira habitual. Pode continuar a pagar o seu café ou as compras de supermercado com moedas tradicionais, mas lembre-se que a transparência digital veio para ficar e o cerco aos pagamentos anónimos de grande escala está cada vez mais fechado.

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