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questão sobre AI

O investimento em inteligência artificial transformou-se numa verdadeira corrida ao ouro para as maiores tecnológicas mundiais, mas os custos desta estratégia estão a atingir proporções históricas. Segundo avançou o Tom's Hardware, gigantes como a Alphabet, Amazon, Meta, Microsoft e Oracle carregam uma dívida oculta estimada em 1,65 biliões de euros (cerca de 1,65 triliões de dólares na escala curta). Esta avalanche financeira resulta de contratos de infraestrutura a longo prazo e aquisições massivas de hardware que ainda não constam nos balanços oficiais, superando em larga escala os 1,35 biliões de euros registados publicamente por estas empresas.

A Apple é a única grande tecnológica norte-americana a ficar de fora desta listagem, fruto de uma abordagem historicamente mais contida e menos exposta a investimentos milionários em centros de dados dedicados a modelos generativos de grande escala. Para quem acompanha o setor, esta discrepância realça o fosso financeiro entre o custo real de desenvolvimento da ia e o retorno imediato obtido com os utilizadores. Plataformas como o chatgpt, desenvolvido pela openai, dependem de um modelo em que a vasta maioria dos acessos é gratuita, gerando faturas pesadas de computação que não são compensadas pelas subscrições premium.

O caso extremo da Meta e da Oracle

Entre as Big Tech analisadas, a meta surge no topo das responsabilidades financeiras ocultadas. Enquanto os relatórios oficiais da dona do Instagram apontavam para um endividamento de 140.000 milhões de dólares, o relatório setorial indica que o valor real com compromissos futuros ascende aos 420.000 millones de dólares.

teclado com AI

A situação ganha contornos ainda mais dramáticos quando analisada a trajetória da oracle. A empresa de software apresenta atualmente obrigações futuras avaliadas em 273.300 milhões de dólares. Trata-se de um disparo monumental de 2.900% face ao nível de endividamento verificado em 2022, o período que antecedeu a explosão global dos modelos generativos. Esta fatura provém essencialmente de contratos a longo prazo assinados para expandir a capacidade informática que ainda não entraram em vigor nas contas correntes.

Compromissos milionários na nuvem

Noutra frente do mercado, a Alphabet, a Microsoft e a Amazon alinharam planos que envolvem o redirecionamento de 1,45 biliões de dólares para cobrir futuros serviços de computação na nuvem (cloud computing) que permanecem por liquidar. Apesar do ceticismo de analistas que temem uma bolha tecnológica semelhante à das "dot-com", os líderes do setor rejeitam o cenário de especulação pura.

A Amazon Web Services (AWS), através do seu responsável Matt Garman, defende que estas infraestruturas respondem a necessidades reais de expansão física. Contudo, para o mercado europeu e português — onde o acesso a estas tecnologias é fortemente condicionado por custos de importação de hardware e taxas de energia locais —, estes números recorde ilustram o risco financeiro concentrado nas mãos de poucos operadores globais.

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