
Uma nova iniciativa defende a fixação de um limite de velocidade máximo de 100 km/h em todas as autoestradas da Europa para veículos alimentados a gasolina. Conforme detalhado num artigo de opinião publicado no Substack por Günther Fehlinger-Jahn, presidente do Comité Austríaco para o Alargamento da NATO, a medida procura resolver simultaneamente a dependência energética, a pegada ecológica e os acidentes rodoviários.
A fundamentação da medida assenta num princípio físico direto: o arrasto aerodinâmico cresce exponencialmente a velocidades elevadas, provocando um aumento acentuado do consumo de combustível acima dos 120 km/h. Segundo os cálculos apresentados pelo autor, restringir a circulação aos 100 km/h resultaria numa poupança de gasolina entre 20% a 30% em viagem de autoestrada, traduzindo-se numa redução substancial dos custos para os condutores.
Poupança energética e corte na dependência de petróleo
Paralelamente à vertente financeira, a iniciativa foca-se no impacto geopolítico. Sendo a gasolina um produto maioritariamente importado de países terceiros, cada litro não consumido reduz o fluxo financeiro direcionado para fora do continente, protegendo o mercado europeu contra eventuais choques de preços do petróleo.
A redução de velocidade traz também benefícios ambientais e sociais imediatos. O abrandamento do tráfego diminuiria a emissão de gases poluentes, o ruído rodoviário e a libertação de micropartículas associadas ao desgaste de pneus e travões. Adicionalmente, a menor energia cinética envolvida em eventuais colisões teria um impacto direto na redução da sinistralidade e de vítimas mortais nas vias rápidas.
Isenção para elétricos e incentivo à transição
Um dos aspetos mais diferenciadores da proposta é a exclusão dos veículos 100% elétricos deste limite restrito. Na visão do analista austríaco, as viaturas elétricas não devem ser penalizadas pelas ineficiências dos motores térmicos, criando-se assim um incentivo indireto para a renovação da frota automóvel europeia sem recorrer a proibições explícitas. Com esta medida, até a famosa Autobahn alemã, conhecida pela ausência de limites em vários troços, seria redefinida como um modelo ultrapassado da era dos combustíveis fósseis.
A ideia de condicionar o ritmo nas autoestradas não é totalmente inédita, visto que em 2022 a Agência Internacional de Energia e a Comissão Europeia já tinham recomendado restrições semelhantes no contexto da crise energética pós-guerra na Ucrânia. Contudo, a nova sugestão, partilhada por Fehlinger-Jahn também na rede X, vai mais longe ao criar um duplo critério consoante o tipo de motorização. Para os condutores portugueses habituados aos atuais 120 km/h, uma harmonização europeia neste formato significaria uma mudança profunda na rotina de viagem.












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