
Jacob Coxon, antigo investigador da Anthropic e da OpenAI, anunciou a sua demissão, alertando que os principais laboratórios de desenvolvimento estão a colocar a humanidade em risco. Segundo uma publicação partilhada na rede X, o especialista acusa estas empresas de entrarem numa corrida cega rumo a uma superinteligência capaz de melhorar-se a si própria.
Coxon, que dedicou os últimos três anos à investigação de pré-treino nestas duas empresas, defende que a IA desenvolvida atualmente nos bastidores atingirá em breve capacidades sobre-humanas. O investigador avisa que os novos modelos poderão invadir qualquer sistema, transformar setores inteiros de um dia para o outro e adquirir poder e recursos de forma real.
O contraste entre a postura pública e o receio interno
Apesar de líderes como Sam Altman, da OpenAI, e Dario Amodei, da Anthropic, transmitirem uma imagem de responsabilidade perante a imprensa, a realidade interna apresenta outro cenário. De acordo com o investigador, quem constrói estas ferramentas acredita que a tecnologia pode eliminar a humanidade até ao final da década.
O alerta sublinha que este receio não se trata de uma estratégia de marketing. Coxon aponta que os executivos medem cuidadosamente as palavras em público para transparecerem segurança, mas, em privado, demonstram preocupação com o impacto daquilo que está a ser criado.
Diferenças de cultura e a urgência de ação
A cultura interna e a perceção do perigo divergem entre os dois laboratórios. Na OpenAI, muitos funcionários ainda não interiorizaram a gravidade e os riscos civilizacionais envolvidos. Por outro lado, a Anthropic compreende bem o perigo, mas encontra-se presa numa corrida para desenvolver a Inteligência Artificial Geral (AGI) em primeiro lugar, movida pela crença de que nenhuma outra entidade o fará de forma responsável.
Perante a dimensão desta ameaça, o especialista argumenta que decisões com este nível de importância não podem continuar a ser tomadas nos canais privados de comunicação de empresas tecnológicas. Para mitigar os riscos, Coxon sugere uma proibição temporária na melhoria das capacidades dos modelos de inteligência artificial. O investigador termina com um apelo aos seus colegas do setor para que não ignorem a realidade nos próximos cinco anos, exigindo uma mudança urgente na direção do desenvolvimento tecnológico.







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