
A atual crise no fornecimento de memória RAM e armazenamento continua a causar impacto na indústria tecnológica, tornando o aumento dos preços dos telemóveis um cenário inevitável em 2026. Segundo os dados revelados pela Counterpoint Research Korea, a escalada de custos dos módulos DRAM e NAND no segundo trimestre do ano está a afetar de forma drástica todo o mercado, com os equipamentos de gama de entrada a sofrerem as maiores consequências e a verem as suas margens de lucro esmagadas.
O peso do hardware nos equipamentos acessíveis
A análise aos custos de produção revela que os dispositivos comercializados abaixo dos 185 euros (cerca de 200 dólares) são os mais prejudicados pela atual conjuntura. Num telemóvel de entrada equipado com 6 GB de memória RAM LPDDR4X e 128 GB de armazenamento eMMC, estes dois componentes representam agora uns impressionantes 43% do custo total da fatura de fabrico.
Esta margem extremamente reduzida coloca uma pressão considerável sobre as fabricantes, afetando particularmente as marcas chinesas e fornecedores de processadores como a MediaTek. Para estas empresas, o fabrico de dispositivos mais acessíveis começa a ser visto como um verdadeiro risco financeiro, podendo gerar perdas a curto prazo se os preços de venda ao público não forem alvo de ajustes estruturais.
Impacto nos topos de gama e mercado intermédio
O cenário também não é animador para os equipamentos mais avançados. Os dispositivos premium com preços acima dos 740 euros podem registar um aumento nos custos de produção entre 90 a 140 euros durante o segundo trimestre de 2026. Num modelo de topo hipotético, equipado com 16 GB de RAM LPDDR5X e 512 GB de armazenamento UFS 4.1, estas peças passam a ocupar 23% e 18% do custo total de montagem, respetivamente.
Por outro lado, o segmento intermédio, com valores a oscilar entre os 370 e 550 euros, parece ser o menos penalizado pela atual escassez, embora não escape totalmente à tendência de subida. Num modelo semelhante ao Pixel 10, que conjuga 8 GB de RAM LPDDR5X e 256 GB de espaço UFS 4.0, o impacto da memória e do armazenamento ronda os 20% e 16% dos gastos de produção.

Estratégias das fabricantes para evitar perdas
Perante este aumento insustentável no valor das peças primárias, as marcas estão a delinear novas abordagens para o hardware. As opções em cima da mesa passam por reduzir a dependência e o volume de envio de telemóveis mais baratos, ou focar o desenvolvimento em especificações mais modestas, cortando em componentes considerados não essenciais para compensar a subida galopante dos chips de memória.
O relatório da entidade analítica conclui que a subida dos preços de venda ao público é uma realidade da qual os consumidores não poderão fugir durante o decorrer de 2026. Este reflexo já começa a ser notado de forma prática no mercado através dos recentes aumentos aplicados na popular linha Galaxy A da Samsung, bem como nas gamas de tablets da Lenovo e noutros produtos do ecossistema eletrónico global.












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