
A startup Poke, que transforma a utilização de agentes de inteligência artificial numa tarefa tão simples como enviar uma mensagem de texto, alcançou um marco histórico. A empresa tornou-se a primeira do seu segmento a receber luz verde da Apple para operar na plataforma Messages for Business. Até ao momento, este ecossistema da gigante tecnológica estava reservado exclusivamente para a comunicação direta entre grandes marcas corporativas — como companhias aéreas ou redes de hotéis — e os seus respetivos clientes, recorrendo ao iMessage. Com esta abertura, o canal passa a aceitar agentes de IA independentes e focados no consumidor final.
Lançada originalmente em março, a Poke foi desenhada especificamente para utilizadores comuns que não possuem competências técnicas ou interesse em lidar com ferramentas complexas de linhas de comandos, diferenciando-se de alternativas como o OpenClaw. Atualmente, o serviço funciona através de SMS, Telegram e WhatsApp em mercados selecionados, auxiliando em tarefas quotidianas como planeamento diário, gestão de calendários, controlo de dispositivos domésticos inteligentes e edição fotográfica. A equipa de dez pessoas sediada em Palo Alto já contabiliza cerca de 100 milhões de mensagens intermediadas e acaba de garantir um reforço financeiro de 10 milhões de dólares (cerca de 9,2 milhões de euros), elevando a sua valorização pós-dinheiro para os 300 milhões de dólares.
O novo modelo de negócio e o ecossistema iMessage
A chegada ao iMessage acontece num momento de grande expectativa, precedendo a conferência anual WWDC da Apple, onde se antecipa a revelação de uma versão otimizada da Siri e novas ferramentas de desenvolvimento de software. Marvin von Hagen, cofundador da The Interaction Company (a tecnológica por trás da Poke), esclarece que a aprovação na plataforma Messages for Business não se traduz na disponibilização de uma aplicação móvel tradicional na App Store, mas sim num canal de conversação direta. Os utilizadores efetuam pedidos em linguagem natural e recebem respostas textuais imediatas na interface nativa de mensagens do ecossistema iOS.
Esta integração inaugura também uma estrutura de custos relevante para o setor. A Poke pagará à Apple uma taxa fixa por cada utilizador ativo na plataforma. Embora os valores exatos permaneçam confidenciais, von Hagen destaca que o custo é substancialmente inferior ao praticado pela Meta no WhatsApp, após os aumentos de tarifas motivados pelas regulações da União Europeia. Este modelo de portagem por utilizador representa uma nova e promissora fonte de receita para a tecnológica de Cupertino, fixando em simultâneo um novo encargo operacional que as startups rivais de inteligência artificial terão de contabilizar nos seus planos de distribuição em larga escala.
Requisitos estritos de segurança e confiança da Apple
O processo de aprovação exigiu vários meses de desenvolvimento e adaptação para cumprir as diretrizes rigorosas de design e segurança da marca. Para obter a autorização, a Poke teve de demonstrar a capacidade de fornecer suporte humano em tempo real sempre que necessário e garantir que o agente de IA está explicitamente identificado como tal perante o interlocutor. Adicionalmente, a interface no iMessage sofreu modificações visuais obrigatórias, passando a exibir pré-visualizações de hiperligações em formato de cartões táteis em detrimento de links diretos no corpo do texto.
Von Hagen salienta que o pioneirismo da startup esteve fortemente associado a um alinhamento de valores com a política corporativa da Apple, focando-se na construção de uma marca que transmita fiabilidade em vez de recorrer a táticas de crescimento agressivas para inflacionar métricas. Para já, a empresa está a enviar convites de forma progressiva aos utilizadores da sua base de dados atual, permitindo-lhes migrar a experiência de utilização para o ambiente nativo do iMessage, caso manifestem preferência por esta plataforma de mensagens.












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