
Meta começou a desmantelar a aquisição de 2 mil milhões de dólares da Manus, completando a separação operacional da startup de inteligência artificial de origem chinesa e interrompendo a partilha de dados entre as duas empresas. De acordo com informações avançadas pela Bloomberg, este passo representa a ação mais concreta até à data para cumprir uma ordem de desinvestimento emitida por Pequim há cerca de dois meses, fundamentada em motivos de segurança nacional.
A gigante tecnológica cortou por completo o acesso da Manus aos seus sistemas internos, impedindo que os colaboradores utilizem as ferramentas da startup em projetos da própria Meta. Esta rutura surge numa altura em que os fundadores da Manus realizam conversações preliminares para angariar aproximadamente 1 milhão de dólares junto de investidores externos, com o objetivo de recuperar o controlo da empresa e abrir caminho para uma estrutura de joint venture na China, visando uma posterior listagem na bolsa de Hong Kong.
Bloqueio ao investimento e controlo tecnológico
A decisão sublinha a determinação das autoridades de Pequim em manter o controlo absoluto sobre tecnologias estrategicamente sensíveis, independentemente de as empresas estarem registadas no estrangeiro. Além da venda forçada, o governo chinês alargou as restrições de viagem a investigadores e executivos de firmas privadas, que agora necessitam de aprovação estatal para se deslocarem ao estrangeiro. Outras empresas de relevo no setor da ia, como a Moonshot AI, a StepFun e a ByteDance, também passam a necessitar do aval governamental antes de aceitarem qualquer tipo de investimento vindo dos Estados Unidos.
O percurso e a reversão do negócio
Apesar do afastamento forçado, a startup continua ativamente a lançar novas funcionalidades, tendo disponibilizado recentemente integrações com a Similarweb e a Shopify. A Manus ganhou grande visibilidade global após uma demonstração que se tornou viral, tendo relocalizado a sua estrutura para Singapura em meados de 2025, antes de ser anunciada a compra pela dona do Facebook em dezembro do ano passado por um valor que ronda os 1,86 mil milhões de euros na conversão direta.
Os reguladores chineses avançaram com uma forte fiscalização à transação logo no início deste ano, apontando possíveis violações das regras de exportação de tecnologia e de investimento estrangeiro. Enquanto os investidores norte-americanos já receberam os fundos da aquisição, os parceiros asiáticos, onde se inclui a Tencent, indicaram que vão cooperar totalmente com o complexo processo de reversão do negócio.












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