
A Microsoft está a preparar uma forte ofensiva no mercado do entretenimento audiovisual, com mais de uma dezena de projetos de cinema e televisão baseados nas suas marcas de videojogos. Conforme revelado em exclusivo pela publicação Entertainment Weekly, a nova estrutura de liderança da empresa pretende transformar a divisão de jogos num gigante do entretenimento global. A estratégia surge no seguimento do forte impacto comercial alcançado com produções recentes, como a adaptação televisiva de Fallout na Amazon Prime Video e a longa-metragem de Minecraft nos cinemas.
O plano atual passa por rentabilizar um vasto catálogo histórico. O diretor de conteúdos da Xbox, Matt Booty, relembrou que o grupo gere mais de 20 franquias que já ultrapassaram a barreira dos mil milhões de dólares em receitas acumuladas ao longo da sua existência. A responsabilidade de gerir estas marcas é agora partilhada com estúdios externos e plataformas globais de streaming que procuram reter audiências através de conteúdos de grande notoriedade.
Sagas consagradas a caminho das produções reais e animadas
Entre a lista de adaptações confirmadas encontra-se o filme de Call of Duty, produzido em parceria com a Paramount, cujo lançamento está agendado para o ano de 2028. Paralelamente, a Netflix trabalha com a The Coalition no desenvolvimento de um filme e de uma série de animação focados em Gears of War. A narrativa cinematográfica deste projeto vai focar-se nas origens do Delta Squad, um grupo de soldados forçado a lutar pela sobrevivência contra os Locust, uma raça subterrânea que ameaça extinguir a humanidade.
A expansão estende-se a outros títulos populares. O universo de pirataria de Sea of Thieves vai dar origem a um filme de imagem real, que se encontra atualmente na fase de procura de realizador. Os entusiastas da ação vão contar com uma série baseada em Wolfenstein na Amazon, enquanto o universo mobile poderá ver Candy Crush adaptado para uma longa-metragem de animação. Há ainda espaço para um formato de competição real focado em Fallout Shelter e um novo projeto associado à saga Halo, destinado a substituir a série anterior da Paramount que dividiu as opiniões do público.
Uma estratégia refinada após os erros do passado
Esta ambição em Hollywood não representa uma estreia absoluta para a empresa de Redmond. Antes do lançamento da Xbox One em 2013, o grupo criou a divisão Xbox Entertainment Studios para produzir conteúdos televisivos integrados na rede Xbox Live. Essa estrutura acabou por ser encerrada em 2014, logo após Phil Spencer assumir a liderança máxima da marca de jogos.
A nova presidente da divisão, Asha Sharma, esclareceu que o objetivo atual não passa por transformar a marca num fornecedor de televisão linear tradicional. A premissa assenta na ideia de que os grandes videojogos fazem parte da cultura contemporânea e que essa cultura representa entretenimento puro. Com Call of Duty a superar o impacto financeiro de universos cinematográficos concorrentes, a recetividade de Hollywood para colaborar com a marca atingiu níveis sem precedentes. Para os utilizadores em Portugal, resta aguardar pela confirmação das datas de estreia locais e das plataformas de streaming específicas que vão assegurar a transmissão destas futuras produções.












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