
A Anthropic acusou o grupo tecnológico Alibaba de orquestrar uma campanha em larga escala para aceder ilicitamente aos seus modelos de linguagem, nomeadamente ao Claude, recorrendo a milhares de contas fraudulentas. A queixa, formalizada através de uma carta enviada a senadores norte-americanos e à Casa Branca, revela que a empresa chinesa pretende contornar as restrições de acesso impostas pelos Estados Unidos. De acordo com a informação avançada pela Bloomberg, este é o maior esforço documentado até à data por parte de uma entidade da China para replicar o trabalho dos principais laboratórios americanos.
O mecanismo de roubo de capacidades por destilação
Na carta enviada ao governo de Donald Trump, os responsáveis da startup norte-americana detalham que a campanha operada pelo laboratório Qwen da Alibaba decorreu entre abril e junho, período durante o qual foram registadas 28,8 milhões de interações com o Claude através de quase 25 mil contas falsas. O objetivo central passa por copiar as capacidades mais avançadas do sistema, como o raciocínio de agentes e a engenharia de software, num processo conhecido na indústria como destilação adversarial. Esta tática permite que empresas concorrentes utilizem os resultados de modelos de topo para treinar os seus próprios sistemas por uma fração do custo normal de pesquisa e desenvolvimento.
Para quem utiliza estas ferramentas em Portugal e no mercado europeu, a proliferação de modelos treinados através deste método levanta sérias preocupações, uma vez que estes sistemas clonados chegam frequentemente ao público sem as barreiras de segurança vitais presentes nas versões originais. A OpenAI e a Google já partilham informações entre si sobre estas práticas para mitigar os danos, alertando que startups chinesas como a DeepSeek e a Minimax também recorreram a métodos semelhantes para desenvolver os seus produtos.
Resposta de Washington e impacto no mercado global
O impacto financeiro deste tipo de acesso não autorizado custa milhares de milhões de dólares aos laboratórios do Silicon Valley. A denúncia surge numa altura crítica, visto que a empresa visada pelas cópias, atualmente avaliada por investidores privados em 965 mil milhões de dólares (cerca de 900 mil milhões de euros), se prepara para uma oferta pública inicial na bolsa. Como contramedida, legisladores em Washington preparam uma emenda à legislação de defesa nacional para colocar na lista negra ou sancionar qualquer empresa estrangeira que aceda indevidamente a dados de treino de modelos americanos.
A Alibaba não prestou declarações sobre o tema, mas enfrenta pressões políticas crescentes, tendo sido recentemente adicionada a uma lista negra do Departamento de Defesa dos Estados Unidos por alegadas ligações às forças armadas chinesas. O cenário agrava as tensões entre a atual administração norte-americana e o setor tecnológico, que resultaram recentemente na decisão de desativar o acesso aos modelos Fable 5 e Mythos 5 a utilizadores estrangeiros devido a novos controlos de exportação ditados pelo Departamento de Comércio.












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