
Um grupo de piratas informáticos conseguiu comprometer o repositório do projeto Injective Labs SDK, introduzindo um pacote malicioso no gestor de pacotes Node (npm). A investida focou-se no roubo de chaves privadas e frases de recuperação de carteiras de criptomoedas pertencentes a programadores e projetos derivados.
De acordo com os detalhes partilhados pelo Socket, a falha de segurança foi também detetada pelas empresas Ox Security e StepSecurity. A ameaça propagou-se através da versão 1.20.21 do pacote npm @injectivelabs/sdk-ts. Este conjunto de ferramentas em TypeScript e JavaScript é fundamental para criar aplicações na Injective, uma blockchain de Nível 1 orientada para finanças descentralizadas (DeFi), ativos tokenizados e bolsas descentralizadas.
Infiltração na cadeia de fornecimento
O incidente teve início a 8 de junho, quando os atacantes conseguiram aceder à conta de GitHub de um colaborador legítimo do projeto. Os primeiros commits suspeitos resultaram na publicação rápida da versão adulterada. A intrusão não se limitou ao pacote principal, tendo afetado outras 17 bibliotecas associadas à Injective, que foram forçadas a depender da versão comprometida.
A resposta do proprietário da conta foi rápida, detetando o problema em poucos minutos. As alterações foram revertidas e uma versão limpa, a 1.20.23, foi imediatamente disponibilizada. Contudo, o dano já estava feito para quem atualizou os seus sistemas nesse intervalo de tempo. O pacote afetado registou 310 transferências diretas antes de ser descontinuado, e os investigadores alertam que o malware permanece disponível no histórico de lançamentos.
Com cerca de 50.000 transferências semanais, o código legítimo é amplamente utilizado no desenvolvimento de bots de negociação, carteiras digitais e ferramentas de pagamento. Um relatório da Ox Security agrava a dimensão do problema, indicando que o SDK possui 87 dependências diretas no npm, as quais acumulam mais de 112.000 transferências conjuntas.
Execução dissimulada e roubo de credenciais
A execução do código malicioso ocorre de forma estratégica. Em vez de atuar no momento da instalação, o roubo de dados é desencadeado apenas quando os programadores utilizam funções específicas para gerar ou importar chaves de carteiras. Assim que estas funções são chamadas, as informações críticas são capturadas, codificadas em formato base64 e preparadas para exfiltração.
Para evitar a deteção por ferramentas de monitorização, os dados roubados são enviados através de um pedido HTTP POST diretamente para um endpoint da infraestrutura pública da Injective Labs, disfarçando o tráfego como uma operação normal do sistema. A StepSecurity detalha ainda que a informação não é enviada de imediato; o sistema malicioso acumula várias chaves durante dois segundos e agrupa-as no cabeçalho do pedido.
Os atacantes podem usar estas credenciais para transferir as carteiras das vítimas para os seus próprios dispositivos, acedendo aos fundos de forma ilícita. A recomendação imediata para qualquer programador ou empresa que suspeite ter utilizado a versão comprometida passa por transferir todos os ativos para novas carteiras e substituir ativamente as credenciais no seu ambiente de desenvolvimento.












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