
O Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA anunciou a aplicação de sanções financeiras contra dois indivíduos e uma entidade tecnológica. Os alvos são acusados de fornecer infraestrutura essencial e ferramentas de ocultação que viabilizaram ciberataques contra empresas, hospitais e organismos governamentais norte-americanos.
A ação governamental foca-se diretamente na First VPN Service (1VPNS), um fornecedor de redes virtuais privadas que operava desde 2014. A entidade promovia os seus serviços em fóruns de cibercrime, assegurando que não mantinha registos de atividade dos utilizadores nem cooperava com as autoridades. O administrador da plataforma, Dmytro Rashevskyi, foi também sancionado por utilizar identidades falsas para adquirir servidores a empresas legítimas.
O desmantelamento da First VPN Service
A infraestrutura da 1VPNS foi desmantelada no âmbito da "Operation Saffron", uma investigação internacional iniciada em dezembro de 2021. Liderada pelas autoridades francesas e holandesas com o apoio do FBI, a operação culminou na apreensão de 33 servidores distribuídos por 27 países e na detenção do administrador.
Segundo dados partilhados pela Europol, o nome deste serviço de VPN surgia de forma recorrente em quase todas as grandes investigações de cibercrime apoiadas pela agência. O acesso prévio à base de dados do serviço permitiu expor milhares de utilizadores associados a atividades de fraude e campanhas globais de ransomware.
Ferramentas de ocultação e impacto financeiro
As sanções norte-americanas visam ainda Yegeniy Vladimirovich Silayev, de nacionalidade bielorussa. Silayev é apontado como fornecedor de cryptors, ferramentas informáticas concebidas para modificar o código de programas maliciosos de modo a que estes evitem a deteção por parte de softwares de segurança tradicionais.
As autoridades estimam que as operações associadas à 1VPNS e às ferramentas de Silayev causaram prejuízos na ordem dos milhares de milhões de dólares a fornecedores de infraestruturas críticas nos Estados Unidos. A medida coordenada com o Reino Unido determina o bloqueio de todos os bens dos sancionados sob jurisdição norte-americana e proíbe transações comerciais com os mesmos.
Paralelamente, a União Europeia e o governo britânico aplicaram sanções conjuntas a dezenas de indivíduos e entidades russas, acusando o país de coordenar redes de hacking dedicadas a atacar infraestruturas digitais na Europa.












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