
A conectividade em zonas isoladas ou durante cenários de catástrofe está prestes a dar um salto tecnológico no mercado nacional. De acordo com um comunicado oficial da operadora, a Vodafone Portugal assinou uma parceria com a Satellite Connect Europe para introduzir comunicações móveis espaciais no país, apontando a disponibilidade comercial para o final de 2027. A principal rutura desta infraestrutura é a compatibilidade transversal: o serviço vai permitir a ligação à rede através de qualquer smartphone convencional, dispensando por completo a compra de dispendiosos telefones satélite ou de antenas especializadas.
Como funciona a tecnologia Direct-to-Device
A nova arquitetura de rede assenta na tecnologia Direct-to-Device (D2D). Quando um utilizador estiver fora do alcance das antenas terrestres normais, o sinal 4G e 5G emitido pelo seu telemóvel comunica diretamente com os satélites BlueBird da AST SpaceMobile, que operam em órbita terrestre baixa. Estes satélites encaminham depois a transmissão para um gateway terrestre da Satellite Connect Europe — uma joint-venture entre o Grupo Vodafone e a própria AST SpaceMobile — injetando finalmente o sinal na rede de comunicações comum.
Na prática, o consumidor português poderá alternar de forma invisível entre a rede terrestre convencional e a malha espacial para aceder à internet de banda larga, enviar SMS ou efetuar chamadas de voz. Esta redundância é crucial para garantir a segurança das comunicações em situações de emergência severa, quando a passagem de tempestades fortes ou falhas elétricas prolongadas deitam abaixo as infraestruturas locais de comunicações.
Preparação de espetro e avanços no terreno
Antes do lançamento oficial no mercado, a empresa necessita de assegurar as devidas autorizações regulatórias para a utilização do espetro eletromagnético. Após a luz verde, o percurso seguirá com um soft launch técnico, garantindo que o sistema complementa a atual rede terrestre de forma fiável.
Luís Lopes, CEO da Vodafone Portugal, destacou o impacto profundo do projeto a nível local. "Este passo em frente na exploração de novas formas de comunicação reforça o compromisso da Vodafone Portugal com a digitalização e modernização da sociedade e com o reforço da competitividade da economia. Por outro lado, contribui para solidificar a segurança nacional, abrindo caminho à conectividade universal", afirmou o responsável máximo da operadora no país.
A visão é partilhada por Meredith Sharples, diretora-geral da Satellite Connect Europe, que frisou a importância do acordo para a expansão desta tecnologia no continente: "Este acordo comercial vem reforçar o impulso das operadoras de redes móveis em torno da conectividade por satélite, bem como a nossa tecnologia exclusiva e a nossa abordagem de parceria".
A promessa de enviar sinais comerciais diretamente de satélites para telemóveis comuns já não é apenas teórica. Em janeiro de 2025, Rowan Chesmer, engenheiro da Vodafone, e Margherita Della Valle, CEO do Grupo Vodafone, realizaram com sucesso a primeira videochamada através deste sistema, comunicando a partir de uma zona montanhosa remota no País de Gales. A AST SpaceMobile continua agora a construir o esqueleto tecnológico desta rede orbital, desenhada para servir tanto clientes comuns como organismos estatais.












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