
A fabricante suíça de veículos ferroviários Stadler Rail foi alvo de um ataque informático em meados de julho, conduzido pelo grupo de ransomware Everest. Os cibercriminosos exigiram 10 milhões de francos suíços (cerca de 12,3 milhões de dólares) para não publicarem informações sensíveis, mas a multinacional não cedeu à chantagem.
O acesso indevido aconteceu através da intrusão numa plataforma de troca de dados partilhada com um dos seus fornecedores. Perante a exigência milionária, a fabricante cortou pontes com os atacantes e avançou com uma queixa-crime na polícia cantonal de Turgóvia. Numa mensagem clara ao mercado e aos hackers, a empresa afirmou: "A Stadler não pagará nenhum resgate sob qualquer circunstância e, portanto, não é suscetível a extorsão."
Produção global sem interrupções
Apesar da gravidade habitual destes ataques na indústria, a companhia — que emprega 18.000 pessoas, possui oito instalações de produção e seis centros de engenharia globais, e apresenta receitas anuais superiores a 4,9 mil milhões de dólares — conseguiu isolar o impacto operacional. As suas linhas de montagem, assim como a infraestrutura de tecnologias de informação interna, continuam a funcionar com total normalidade em todos os mercados.
As investigações preliminares apontam que o roubo incidiu apenas sobre informação técnica sem relevância para a segurança, extraída a partir do parceiro afetado. Nenhum detalhe pessoal relevante foi comprometido e, segundo a marca, os sistemas de metro, comboios e sinalização ferroviária em operação a nível global não correm qualquer risco. Esta firmeza de recusar a negociação alinha-se com as atuais recomendações das agências europeias de cibersegurança para quebrar a sustentabilidade financeira destes grupos criminosos.
A tática evolutiva do grupo Everest
O coletivo Everest apareceu no radar da cibersegurança em 2020, mas rapidamente mudou a sua estratégia: abandonou o bloqueio de redes através de encriptação e passou a focar-se exclusivamente na exfiltração de ficheiros para extorsão direta. Em várias ocasiões, estes piratas atuam também como corretores de acesso, vendendo pontos de entrada em redes corporativas a terceiros ou comprando espólios furtados por outros gangues para reforçar os seus próprios ataques.
Curiosamente, a infraestrutura do Everest apresenta falhas. Em abril de 2025, o portal original do grupo na dark web foi sabotado por desconhecidos, passando a exibir a mensagem: "Não cometam crimes O CRIME É MAU beijinhos de Praga." Operando agora sob um novo domínio, o grupo ainda não publicou o nome da fabricante suíça na sua página de vítimas. Recorde-se que a própria Stadler já tinha lidado, em 2020, com um ataque de contornos semelhantes, onde dispositivos internos foram infetados e ficheiros extraídos, cimentando agora uma resposta ainda mais implacável contra o cibercrime.












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