
A integração de uma marca de água impercetível nos textos gerados pelo Claude está a afastar clientes da plataforma. Segundo avançou o Business Insider, dezenas de utilizadores manifestaram o seu descontentamento na rede social X, culminando no cancelamento de subscrições premium do assistente de inteligência artificial.
A medida, aplicada globalmente pela Anthropic desde 2 de agosto, insere um identificador que acompanha o conteúdo mesmo quando este é copiado, colado ou sujeito a edições ligeiras. O objetivo oficial passa por ajudar a distinguir material gerado por inteligência artificial de texto escrito por humanos, cumprindo assim exigências de transparência impostas pelo Regulamento da Inteligência Artificial da União Europeia, que abrange diretamente o mercado português e todo o espaço comunitário.
O receio dos profissionais e programadores
Apesar de a empresa garantir que a marca não afeta a legibilidade ou o significado das respostas, quem depende do Claude para tarefas diárias teme repercussões sérias. A presença deste identificador em código informático ou documentos entregues a clientes levanta questões de direitos de autor, sobretudo quando o assistente é utilizado apenas para pequenas correções ortográficas, traduções ou resumos de trabalhos originalmente humanos.
Vladislav Rajtmajer, um programador freelancer da Chéquia, justificou o abandono do seu plano Claude Max por recear que o selo digital levantasse dúvidas sobre a autoria do seu código informático, arriscando eventuais penalizações contratuais. O serviço, que tem um custo de cerca de 91 €, foi também cancelado pelo consultor norte-americano Richard Echols e pelo profissional de políticas públicas Arturo Villarroya, que estão agora a migrar para alternativas como o Cursor, o Grok 4.6 e o Grok Bot. Stevan Bogosavljević, um engenheiro de software de Montenegro, já havia cancelado a sua conta em julho devido a limitações de acesso aos melhores modelos, sentindo a sua decisão validada por esta imposição técnica.
Transparência perante as regras do mercado
Os representantes da tecnológica defendem que a presença da marca apenas sinaliza que o texto foi processado pelo modelo, não indicando obrigatoriamente que este redigiu todo o documento. Para facilitar este processo de transparência e cumprir as diretrizes europeias, a empresa tenciona disponibilizar uma interface de programação de aplicações (API) gratuita, permitindo que qualquer pessoa confirme a presença do identificador nos textos.
O movimento de rastrear conteúdo sintético ganha cada vez mais tração na indústria. A Google utiliza a tecnologia SynthID nos seus sistemas e a OpenAI aplica ferramentas semelhantes em ficheiros de áudio e imagem. Embora a empresa responsável pelo Claude contabilizasse 300.000 clientes empresariais em setembro de 2025 e negue um aumento estatístico nos cancelamentos desde o anúncio, o episódio expõe um novo desafio para o setor: equilibrar a obrigatoriedade legal de rastreio com a necessidade de controlo absoluto exigida por profissionais liberais e agências digitais.












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