
Comprar casa em Portugal significa, cada vez mais, pagar pelo mesmo e receber menos espaço. Segundo dados partilhados pelo Imovirtual, a área média dos imóveis anunciados para venda registou uma quebra de cerca de 7% entre maio e julho de 2026, quando comparada com o período homólogo de 2025.
Apartamentos e moradias com reduções expressivas
A descida nas áreas disponíveis afeta todos os segmentos residenciais. Nos apartamentos, a área média encolheu de 118 m² para 109 m², o que representa uma redução de 9 metros quadrados (-7,6%). O cenário é ainda mais acentuado nas moradias, que passaram de 270 m² para 251 m², traduzindo-se numa perda de 19 metros quadrados (-7,0%) num intervalo de apenas doze meses.
Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual, esclarece a tendência, afirmando que "a dimensão dos imóveis é um indicador importante para compreender a evolução da oferta residencial". A responsável sublinha que a quebra consistente no espaço disponível demonstra que o mercado não sofre alterações unicamente através do agravamento de preços, constituindo o tamanho das casas "um elemento relevante para compreender as transformações da oferta".
A ilusão dos quartos e os contrastes regionais
Uma implicação prática direta para quem procura casa no mercado português é que o número de divisões nem sempre é sinónimo de amplitude. Atualmente, um T3 moradia oferece uma área média de 136 m², superando o espaço de um T4 apartamento, que se fica pelos 124 m². Dentro da mesma tipologia, as variações mantêm-se notórias: os apartamentos começam nos 68 m² (T1) e podem ir até aos 255 m² (T5+), enquanto as moradias variam entre os 136 m² (T3), os 207 m² (T4) e os 315 m² (T5+).
A geografia também dita o tamanho da oferta disponível. Leiria destaca-se nos apartamentos com a maior área média anunciada (150 m²), deixando Viseu (119 m²), Braga (118 m²), Lisboa (110 m²) e Coimbra (109 m²) nas posições seguintes. Quando o foco recai sobre as moradias, Viseu assume a dianteira com uns generosos 346 m², seguida por Braga (270 m²), Lisboa (253 m²), Setúbal (246 m²) e Aveiro (243 m²).
A ligação inabalável entre preço e tamanho
A relação entre o custo e os metros quadrados continua a ser um dos pilares do setor imobiliário. Os apartamentos anunciados por mais de 500 mil euros garantem uma área média de 161 m², um valor significativamente superior aos 101 m² encontrados na faixa dos 300 mil aos 500 mil euros — o intervalo que concentra a maior fatia da oferta atual de apartamentos.
No segmento das moradias, a lógica acompanha as mesmas linhas. Cerca de 39% das opções estão listadas acima dos 500 mil euros, um patamar onde a área média salta para os 326 m². Em claro contraste, as casas situadas entre os 200 mil e os 300 mil euros limitam-se a uma área de 202 m², reforçando a ideia de que a contração do espaço habitacional afeta sobretudo quem dispõe de um orçamento intermédio.












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