
A fabricante de carteiras de criptomoedas Trezor revelou que a recente violação de segurança na ShipMonk, a sua fornecedora de serviços de logística, teve um impacto substancialmente maior do que o inicialmente previsto. Segundo avançou a Trezor, mais 67.000 clientes dos Estados Unidos tiveram as suas informações expostas, elevando o total de afetados para 81.000.
Dados retidos indevidamente
A primeira divulgação do incidente, feita a 13 de agosto, apontava para o comprometimento da informação de cerca de 14.000 clientes de vários países, incluindo Portugal, Brasil, Colômbia, Itália, Suécia e Reino Unido. Estes utilizadores realizaram encomendas entre 10 de maio e 8 de agosto de 2026.
No entanto, uma nova atualização confirmou que a ShipMonk não eliminou informações antigas dos seus sistemas, contrariando as políticas de retenção e as garantias escritas dadas à fabricante. A omissão resultou na exposição de detalhes de clientes norte-americanos que efetuaram compras entre novembro de 2019 e agosto de 2021. As informações acedidas pelos atacantes incluem nomes completos, endereços de correio eletrónico, números de telefone, moradas de envio e números de encomenda.
A empresa manifestou o seu profundo desagrado perante a situação, sublinhando que havia recebido garantias formais por parte da parceira logística sobre a eliminação dos registos.
Vulnerabilidade na plataforma Metabase
A origem do incidente está associada à exploração de uma falha crítica de injeção SQL "zero-day" na Metabase, uma plataforma de análise de dados utilizada pela ShipMonk. Esta vulnerabilidade permitiu que os atacantes acedessem com privilégios de administrador às instâncias dos clientes e roubassem a informação confidencial. A fornecedora de logística terá recebido e-mails de extorsão do grupo criminoso ShinyHunters, responsável pela mesma campanha que também atingiu empresas como a Tally e a Framework.
Apesar da gravidade do ataque à cadeia de abastecimento, os serviços e operações internas da fabricante de carteiras físicas não foram comprometidos, e todos os dispositivos da marca mantêm-se seguros. Contudo, os clientes afetados foram alertados para um risco acrescido de campanhas de phishing e esquemas fraudulentos. Os criminosos poderão utilizar a informação roubada para chamadas falsas ou e-mails fraudulentos, na tentativa de roubar as chaves de recuperação (seeds) de 24 palavras das carteiras.
Em janeiro de 2024, a marca já tinha enfrentado um incidente separado no seu portal de suporte, que resultou no comprometimento da informação de cerca de 66.000 utilizadores.







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