
Depois de uma decisão polémica tomada em fevereiro passado, que impedia o download local de livros comprados para computadores ou outros dispositivos, a Amazon prepara-se para voltar atrás na sua palavra — ainda que com algumas condições importantes.
Segundo um novo comunicado divulgado na comunidade oficial KDP, os e-books do Kindle nos formatos EPUB e PDF poderão voltar a ser descarregados pelos utilizadores a partir do dia 20 de janeiro de 2026. Esta medida abrange o envio para telemóveis, tablets e até leitores de livros digitais de outros fabricantes, revertendo parcialmente o bloqueio imposto no início de 2025.
No entanto, esta "boa vontade" tem letras pequenas. A funcionalidade estará disponível exclusivamente para livros que não possuam DRM (Digital Rights Management) e que sejam autopublicados através da plataforma Kindle Direct Publishing.
O regresso dos downloads (com condições)
A restrição implementada em fevereiro de 2025 tinha como justificação oficial o combate à violação de direitos de autor e à pirataria. A tecnologia DRM serve justamente para controlar o acesso e impedir a cópia não autorizada de conteúdos digitais. Contudo, a proibição total de downloads gerou uma onda de críticas por parte da comunidade, especialmente entre os leitores que pretendiam fazer cópias de segurança locais das suas bibliotecas digitais.
Com esta nova atualização de política, a gigante tecnológica flexibiliza a sua postura, transferindo a responsabilidade para os criadores. A partir da data indicada em janeiro de 2026, caberá aos autores e editoras independentes decidirem se querem permitir o download dos seus ficheiros ou não, através da ativação ou desativação do DRM no ato da publicação.
É importante notar que esta alteração não afeta as grandes editoras tradicionais, focando-se no ecossistema de autores independentes e pequenas editoras que utilizam a plataforma direta da Amazon.
Gestão manual para obras antigas
Para os livros publicados após o dia 10 de dezembro de 2025, as novas opções de configuração já estarão visíveis, mas a funcionalidade de download para os leitores só ficará ativa a partir de 20 de janeiro.
Já para quem publicou obras antes desta data e optou por não usar DRM, o download não será ativado automaticamente. Os autores terão de aceder manualmente às configurações de cada livro e permitir explicitamente essa opção, caso assim o desejem.
Até recentemente, a estratégia passava por encriptar as obras no formato proprietário KFX, o que na prática impedia o download e a transferência para dispositivos concorrentes, independentemente da existência de proteção de direitos de autor. Com esta mudança, abre-se novamente uma porta, ainda que estreita, para que os utilizadores tenham maior controlo sobre os ficheiros que adquiriram legitimamente.