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Microsoft e Google tentam mudar a narrativa sobre a qualidade da Inteligência Artificial em Ter 6 Jan 2026 - 9:52

DJPRMF

Robot a receber IA

Num espaço de apenas uma semana, figuras de proa de duas das maiores tecnológicas do mundo vieram a público com uma mensagem semelhante: as críticas à qualidade da Inteligência Artificial (IA) podem estar mal direcionadas. Tanto Satya Nadella, CEO da Microsoft, como Jaana Dogan, Engenheira Principal na Google, sugerem que o foco deve sair da discussão sobre se o conteúdo gerado é "bom" ou "mau" e centrar-se na reação humana à tecnologia.

Estas declarações surgem num momento em que os criadores de conteúdo e editores continuam a documentar perdas significativas de tráfego, e pouco tempo depois de o termo "slop" (uma gíria para conteúdo de baixa qualidade gerado por IA) ter ganho tração mediática.

Nadella pede o fim do debate sobre "lixo vs sofisticação"

Satya Nadella utilizou o seu blog pessoal para publicar uma reflexão intitulada Looking Ahead to 2026, onde argumenta que a indústria tecnológica precisa de ultrapassar os rótulos negativos. O líder da Microsoft defende que devemos abandonar os argumentos de "lixo vs sofisticação" (no original, slop vs sophistication) e focar a atenção na forma como a IA se integra na vida e no trabalho dos seres humanos.

Nadella caracteriza estas tecnologias como "ferramentas de amplificação cognitiva" e acredita que 2026 será o ano decisivo em que a Inteligência Artificial terá de provar o seu valor no mundo real. Para o executivo, é necessário encontrar um "novo equilíbrio" que tenha em conta o facto de os humanos possuírem agora estas ferramentas poderosas.

Ao enquadrar o tema como uma "questão de design de produto que precisamos de debater e responder", Nadella tenta desviar a conversa das críticas sobre a qualidade do output para uma discussão mais orientada para a integração do produto e os seus resultados práticos.

O argumento do "burnout" tecnológico

Num tom diferente, mas com um objetivo semelhante, Jaana Dogan, que trabalha na API do Gemini na Google, sugeriu que a resistência à IA pode ser um sintoma de exaustão. Numa publicação no X, a engenheira escreveu de forma direta: "As pessoas só são anti nova tecnologia quando estão em burnout de tentar nova tecnologia. É compreensível."

botão de teclado com AI

Este comentário surgiu poucos dias após Dogan ter partilhado a sua experiência com o Claude Code, referindo que a ferramenta conseguiu produzir, em cerca de uma hora, um protótipo funcional que correspondia a padrões que a sua equipa demorou cerca de um ano a construir.

Apesar de Dogan não falar como representante oficial da política da Google, a sua posição reflete um sentimento crescente entre os tecnólogos: a ideia de que a fadiga, e não necessariamente a falta de fiabilidade ou utilidade das ferramentas, é o que está a impulsionar o ceticismo. No entanto, as reações à sua publicação foram rápidas a apontar outros fatores, como integrações forçadas, custos elevados, preocupações com a privacidade e a sensação de que as ferramentas são menos fiáveis em fluxos de trabalho quotidianos.

O impacto real nos criadores de conteúdo

Esta tentativa de reequadrar a discussão colide com a realidade enfrentada por muitos editores e criadores de conteúdo na web. O termo "slop" foi recentemente destacado pelo dicionário Merriam-Webster, refletindo uma preocupação real com a proliferação de conteúdo de baixa qualidade.

Para os sites que dependem de tráfego de pesquisa, a situação é alarmante. Dados do Pew Research Center indicam que, quando os resumos gerados por IA aparecem nos resultados de pesquisa, apenas 8% dos utilizadores clicam em algum link, em comparação com 15% quando esses resumos não estão presentes. Isto traduz-se numa queda de quase 47% na taxa de cliques.

Enquanto a Microsoft e a Google tentam posicionar as críticas como uma questão de adaptação do utilizador ou de design de produto, os dados sugerem que o impacto económico na web aberta e a fiabilidade da informação continuam a ser as preocupações centrais para quem está do outro lado do ecrã.



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