
A Universal Music Group (UMG) anunciou uma parceria estratégica com a Nvidia para integrar um novo modelo de Inteligência Artificial num dos maiores catálogos musicais do mundo. O objetivo principal desta colaboração é utilizar a tecnologia para compreender a música com uma profundidade quase humana, facilitando a descoberta de faixas e protegendo, simultaneamente, os direitos dos artistas.
No centro desta iniciativa está o modelo de IA "Music Flamingo", desenvolvido pela Nvidia em conjunto com investigadores da Universidade de Maryland e publicado originalmente em novembro de 2025. Ao contrário de algoritmos tradicionais, esta tecnologia foi desenhada para imitar a forma como o cérebro humano processa a música, sendo capaz de reconhecer elementos subtis como a estrutura da canção, harmonia, arcos emocionais e progressões de acordes.
Uma nova forma de descobrir e sentir a música
A implementação deste modelo promete transformar a experiência tanto para os artistas como para os ouvintes. Segundo as empresas, o Music Flamingo consegue processar faixas com até 15 minutos de duração, permitindo uma análise detalhada do conteúdo.
Para os fãs, isto significa o fim da dependência exclusiva de géneros ou playlists genéricas para encontrar novas músicas. O sistema permitirá pesquisas baseadas em critérios mais complexos, como a emoção transmitida ou a "ressonância cultural" de uma obra. Já os artistas poderão utilizar esta ferramenta para analisar o seu próprio trabalho e descrevê-lo com uma "profundidade sem precedentes".
Lucian Grainge, CEO da UMG, afirmou que a empresa está a abraçar "as oportunidades que a IA apresenta", com a esperança de direcionar o "potencial transformacional sem precedentes" desta tecnologia para o serviço dos artistas e dos seus fãs.
Combate ao "AI slop" e proteção dos criadores
Esta parceria marca mais um passo na mudança de postura da indústria musical face à tecnologia. A UMG, que em 2023 processou a Anthropic devido à distribuição de letras de canções, tem vindo a adotar uma abordagem de colaboração, como se viu na recente parceria com a plataforma Udio.
No entanto, o comunicado sublinha um compromisso com a "IA responsável". A UMG e a Nvidia garantem que esta tecnologia não será usada para inundar as plataformas de streaming com o chamado "AI slop" (conteúdo de baixa qualidade gerado em massa por máquinas). Pelo contrário, o foco está em promover a criação musical humana e garantir a compensação dos detentores de direitos.
Para assegurar estes princípios, foi anunciada a criação de uma "incubadora dedicada a artistas". Este projeto servirá para desenhar e testar novas ferramentas, colocando os criadores no centro da inovação e servindo como um "antídoto direto" contra conteúdos genéricos gerados artificialmente.
Richard Kerris, vice-presidente da Nvidia, reforçou que a implementação será feita "da maneira correta: de forma responsável, com salvaguardas que protegem o trabalho dos artistas, garantem a atribuição e respeitam os direitos de autor", conforme detalhado no comunicado oficial.