
A empresa responsável pelo modelo Claude decidiu manter as suas barreiras de segurança, rejeitando as pressões do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Dario Amodei, CEO da Anthropic, revelou que a empresa não pode, em boa consciência, cumprir a ordem governamental para remover as salvaguardas contra a vigilância em massa e o desenvolvimento de armas totalmente autónomas que podem atuar sem supervisão humana.
O braço de ferro pelos limites éticos na guerra
O conflito atingiu um ponto crítico quando Pete Hegseth, Secretário da Defesa dos Estados Unidos, impôs um prazo apertado (até às 17h01 de sexta-feira) para a entidade ceder aos termos estipulados. Em causa está o cancelamento de um contrato avaliado em 200 milhões de dólares. Caso a tecnológica não cumpra as exigências, o Pentágono ameaçou rotulá-la como um risco para a cadeia de abastecimento, uma classificação tipicamente reservada para entidades de nações adversárias e que nunca foi aplicada a uma empresa americana.
Em resposta à posição de Amodei, o Subsecretário da Defesa dos Estados Unidos, Emil Michael, acusou o líder da tecnológica de tentar controlar pessoalmente as forças armadas e de colocar a segurança da nação em risco, conforme a sua publicação no X. Apesar destas declarações e do ultimato, Dario Amodei reforçou que a preferência é continuar a apoiar o departamento e os militares, mas apenas se as duas salvaguardas em causa forem mantidas intactas.
Alternativas em cima da mesa e o impacto militar
A separação entre o Pentágono e a plataforma não se afigura como uma transição simples. Até ao momento, este modelo de inteligência artificial tem sido o único autorizado para as tarefas mais sensíveis das forças armadas, abrangendo operações no campo de batalha, desenvolvimento de armamento e serviços de inteligência. A título de exemplo, o modelo foi alegadamente utilizado durante a operação militar na Venezuela que resultou na exfiltração do presidente Nicolás Maduro e da sua esposa.
Perante a recusa em alterar a sua postura, o CEO garantiu que a tecnológica facilitará uma transição suave para outro fornecedor, caso o Pentágono decida avançar com a rescisão do contrato, evitando assim qualquer disrupção em missões críticas ou no planeamento de operações em curso. Ao mesmo tempo, o Departamento de Defesa já começou a avaliar o seu grau de dependência atual desta ferramenta e a analisar potenciais substitutos, onde se incluem alternativas como o Gemini da Google, a OpenAI e o Grok.
A posição irredutível da liderança surge como um teste decisivo à imagem da tecnológica, que se posiciona como a entidade mais focada na segurança do mercado, especialmente depois de ter abandonado o seu compromisso central de segurança há poucos dias. Todos os detalhes desta recusa foram partilhados de forma aberta no comunicado oficial da Anthropic.












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