
O diretor executivo da Anthropic, Dario Amodei, está alegadamente de regresso à mesa de negociações com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos. O objetivo é tentar salvar a relação da empresa com as forças militares norte-americanas e evitar que a tecnológica seja excluída de contratos de defesa sob o rótulo de "risco para a cadeia de abastecimento".
As conversações entre as duas partes tinham colapsado na sexta-feira, após semanas de uma disputa pública acesa devido à recusa da empresa em garantir ao Pentágono acesso irrestrito aos seus modelos de inteligência artificial. Este vazio deixou a porta aberta para que rivais como a OpenAI tentassem ocupar o lugar.
Amodei encontra-se agora a negociar com Emil Michael, subsecretário da defesa para a investigação e engenharia, um novo contrato que permitiria aos militares continuarem a utilizar os modelos Claude. A tensão tem sido palpável, com Michael a recorrer recentemente às redes sociais para chamar Amodei de "mentiroso" com um "complexo de Deus", acusando-o de colocar a segurança do país em risco.
O memorando polémico e as críticas a Trump
A situação pode aquecer ainda mais devido a um memorando enviado por Amodei aos funcionários na sexta-feira, conforme revelado pelo The Information e também verificado pelo Financial Times. No documento, o executivo critica o recente pacto da empresa rival com o Pentágono, classificando-o como "teatro de segurança" e descrevendo as comunicações de ambas as partes como "puras mentiras".
Amodei sugeriu que a degradação da relação com o governo federal se deve ao facto de a sua empresa não ter feito doações a Donald Trump nem lhe ter tecido "elogios ao estilo de um ditador". A mensagem contrasta com a postura do diretor executivo rival, Sam Altman, e do presidente Greg Brockman, conhecido por ser um mega-doador da campanha de Trump, que se têm aproximado da nova administração.
As linhas vermelhas da inteligência artificial militar
O conflito central reside na insistência do Departamento de Defesa num acesso sem limites à tecnologia e na recusa da tecnológica em comprometer duas linhas vermelhas para uso militar: a proibição de vigilância em massa de cidadãos norte-americanos e a rejeição de armas autónomas letais que operem sem supervisão humana.
O secretário da Defesa, Pete Hegseth, tem defendido que a tecnologia utilizada pelo departamento deve estar disponível para "qualquer uso legal", termos que já terão sido aceites por empresas como a xAI. No memorando, Amodei revelou ainda que os militares estiveram perto de aceitar os seus termos, mas pediram a eliminação de uma frase específica sobre a "análise de dados adquiridos em massa". A empresa considerou o pedido "muito suspeito", visto que correspondia exatamente ao cenário de vigilância que tentavam evitar.
Garantir um novo acordo pode ser uma questão de sobrevivência para a tecnológica. A ameaça de Hegseth em designar a empresa como um risco para a cadeia de abastecimento — uma categoria normalmente reservada a organizações com ligações a governos estrangeiros hostis — teria um efeito dominó em todo o ecossistema tecnológico dos EUA. Forçaria outras empresas a abandonarem o Claude e a cortarem laços caso quisessem manter os seus próprios contratos de defesa.
Até à semana passada, o Claude era o único sistema com autorização de segurança para lidar com informação classificada. Relatórios indicam que o modelo é ativamente utilizado em operações militares, incluindo a incursão na Venezuela e ataques no Irão, fatores que terão levado Trump a recuar na sua intenção inicial de banir a utilização do Claude pelo governo federal.












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