
A Micron está a olhar para além dos centros de dados para encontrar o próximo grande motor de crescimento da indústria de semicondutores. Segundo revelou o CEO da empresa, Sanjay Mehrotra, ao The Register, estamos prestes a entrar numa era onde robots e veículos autónomos vão exigir capacidades de memória e armazenamento sem precedentes. Este salto tecnológico será impulsionado pela integração local de sistemas de IA, transformando máquinas autónomas em verdadeiros servidores portáteis que operam em tempo real.
Robótica: a próxima grande vaga de procura de memória
O líder da Micron acredita que a robótica se tornará uma das categorias de produtos mais relevantes do mundo tecnológico nas próximas duas décadas. A previsão é que cada robot avançado venha a necessitar de cerca de 300 GB de memória RAM para funcionar corretamente, além de pelo menos 2 TB de armazenamento em estado sólido (SSD).
Este nível de hardware é comparável ao que se encontra atualmente em servidores de alto desempenho, mas passará a ser o padrão para unidades que precisam de processar visão computacional, planeamento e controlo de movimento de forma instantânea. Mehrotra destaca que, embora o foco atual do mercado esteja nos grandes modelos de linguagem em nuvem, o futuro passa pela densidade de memória em cada dispositivo individual que circula nas nossas ruas ou fábricas.
Carros autónomos como supercomputadores sobre rodas
O setor automóvel é outro pilar fundamental nesta estratégia de crescimento. Com a evolução dos sistemas de condução autónoma de níveis L2 e L4, os veículos estão a tornar-se plataformas informáticas complexas. Para garantir a segurança e a rapidez no processamento de dados, a Micron antecipa que os carros do futuro exijam capacidades de armazenamento massivas, também na ordem dos 2 TB, para gerir todos os sensores e algoritmos de navegação.
Este cenário de procura exponencial justifica investimentos massivos em infraestrutura de produção de chips, tornando planos como a Terafab de Elon Musk não apenas ambiciosos, mas necessários. A Micron planeia aumentar significativamente o seu investimento em investigação e desenvolvimento já no exercício fiscal de 2027, preparando-se para um ciclo de 20 anos onde a inteligência deixará de estar apenas nos centros de dados para passar a estar presente, com hardware robusto, em tudo o que se move autonomamente.












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