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Wireless USB

Lembras-te de usar ratos e teclados com adaptadores de 2.4 GHz e pensar que o futuro seria totalmente livre de fios? Na verdade, existiu mesmo uma tentativa séria de criar um padrão oficial para o USB sem fios. Segundo a documentação preservada do USB Implementers Forum, o projeto arrancou em 2005 com o apoio de empresas de peso para eliminar os cabos das nossas secretárias, mas acabou por fracassar redondamente devido a divisões internas na indústria.

A promessa de uma secretária sem cabos

A ideia era simples e ambiciosa: remover a confusão de cabos das nossas vidas, mantendo a simplicidade do formato original. Grandes nomes da tecnologia, como a Intel, a Microsoft, a HP e a Samsung, juntaram-se para apoiar esta iniciativa. O objetivo não se limitava apenas a periféricos básicos. A ambição era ligar impressoras, discos rígidos e qualquer outro equipamento de forma automática e invisível através de uma rede local.

cabo USB-C

Para tornar isto realidade, o padrão assentava na tecnologia de banda ultralarga, conhecida como UWB. É a mesma base tecnológica que encontramos em equipamentos modernos como o iPhone ou os AirTags. Na altura, a implementação proposta operava em frequências entre os 3.1 GHz e os 10.6 GHz, garantindo velocidades de transferência de 480 Mbps. Este valor igualava o desempenho do velhinho formato 2.0 por cabo, um feito técnico impressionante para a época, especialmente considerando que muitas das redes atuais ainda lutam para manter este ritmo de forma estável.

O caos que ditou o fim do projeto

Com as fundações estabelecidas, faltava apenas definir os detalhes técnicos da sua implementação prática. Contudo, como é frequente no mundo da tecnologia, a falta de consenso instalou-se rapidamente entre as marcas envolvidas. A base da tecnologia UWB acabou por se dividir em duas abordagens técnicas rivais: a MB-OFDM e a DS-UWB.

Formaram-se várias alianças na indústria em torno destas visões opostas. Em vez de avançarem com um formato unificado, as empresas perderam tempo a discutir regras e pormenores de compatibilidade, atrasando drasticamente qualquer avanço. O grande triunfo das ligações físicas tradicionais sempre foi a sua retrocompatibilidade e a garantia de que qualquer dispositivo funcionaria ao ser ligado. Um cisma desta magnitude era uma sentença de morte para a nova norma. Apesar de terem existido algumas demonstrações públicas, o projeto ficou estagnado e foi dado como encerrado em 2009.

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