
A Google processou milhares de milhões de pedidos de remoção de conteúdos (DMCA) nos primeiros meses do ano, com a agência Link-Busters a assumir o topo incontestável da lista. Segundo os dados avançados pelo TorrentFreak, a empresa atingiu um teto de cerca de 70 milhões de URLs reportados por semana, um fenómeno que levanta questões sobre possíveis limites técnicos ou restrições impostas aos intervenientes do setor.
Um volume histórico de pedidos de remoção
A Link-Busters atua como a parceira de eleição no combate à pirataria para várias das maiores editoras de livros do mundo, como a Penguin Random House e a HarperCollins. A empresa neerlandesa é, com larga margem, a entidade mais ativa a enviar notificações à Google, sinalizando URLs piratas no motor de pesquisa, sobretudo provenientes de bibliotecas digitais não autorizadas.
De acordo com o relatório de transparência atualizado recentemente, a agência já foi responsável por mais de 6,5 mil milhões de pedidos de remoção. Este valor representa mais de um terço das quase 18 mil milhões de queixas totais recebidas pelo motor de busca na sua história. A distância para a concorrência é bastante acentuada: a segunda organização da lista, a Rivendell, soma pouco menos de 1,5 mil milhões de pedidos, seguida de perto pela MG Premium com aproximadamente 1,26 mil milhões.

Existe um limite para os bloqueios?
O aspeto mais surpreendente desta operação é o facto de a Link-Busters ter intensificado os seus esforços de forma massiva há menos de três anos. Contudo, após um crescimento quase vertical ao longo de 2023, o envio de relatórios estabilizou há cerca de um ano, fixando-se de forma consistente no patamar entre os 60 e os 70 milhões de envios semanais. A forma do gráfico sugere um limite estrito imposto, em vez de uma diminuição coincidente do material infrator.

Questionada sobre a possível aplicação de um teto máximo de processamento diário, a gigante tecnológica não confirmou nem desmentiu. Um porta-voz referiu apenas que o seu programa de remoção de conteúdos permite que os parceiros de confiança consigam submeter os volumes de que necessitam. Esta resposta contrasta com a postura da empresa em 2013, altura em que garantia não existir qualquer barreira ao número de notificações submetidas pelos detentores de direitos.
Ao ritmo atual, a Link-Busters sinaliza cerca de 3,5 mil milhões de URLs por ano, mantendo uma taxa de precisão bastante elevada, com menos de 1% de duplicações ou erros. Mais interessante ainda é o facto de quase 8% dos endereços reportados não se encontrarem sequer indexados na altura, tendo sido removidos de forma proativa. Fica por esclarecer se a barreira dos 70 milhões resulta de uma limitação do motor de busca ou se marca simplesmente o limite máximo da capacidade de rastreamento dos servidores da própria agência.












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