
A Google começou a notificar os anunciantes de que passará a utilizar os endereços IP para a medição e personalização de anúncios no Espaço Económico Europeu (EEE), no Reino Unido e na Suíça. Esta alteração entrará em vigor a partir do dia 3 de agosto de 2026, marcando uma viragem significativa na forma como a gigante tecnológica gere a publicidade nestas regiões. A informação foi partilhada através de avisos enviados aos parceiros a 17 de junho de 2026, conforme reportado pela BleepingComputer.
O que muda com a nova política
Até agora, a Google já recebia os endereços IP para tarefas de rotina no funcionamento da internet, como o encaminhamento de tráfego e a entrega básica de publicidade através de SDKs ou ferramentas de carregamento. Contudo, o propósito muda com a nova diretiva: os mesmos endereços passam a ser usados para identificar dispositivos com fins de personalização publicitária. No ecossistema europeu, onde o IP é regulamentado como um dado pessoal, esta finalidade exige obrigatoriamente a recolha de consentimento dos utilizadores.
Para se alinhar com as regras locais, a tecnológica vai registar-se na funcionalidade "Feature 3" do IAB Europe Transparency and Consent Framework (TCF). Esta ferramenta serve para distinguir aparelhos com base na informação transmitida de forma automática. A empresa refere ainda que está a recorrer a tecnologias de melhoria de privacidade (PETs), tais como o processamento no próprio dispositivo e ambientes de execução seguros, para gerir o processo, prometendo controlos diretos para os utilizadores nas suas plataformas mais lá para o fim do ano.

O impacto na privacidade e as opções dos utilizadores
Esta decisão reflete uma inversão de marcha na postura histórica da empresa. Em 2019, a liderança de engenharia do Chrome defendia publicamente que a monitorização baseada em técnicas de "fingerprinting" — onde o IP serve de base para seguir utilizadores quando os cookies são bloqueados ou limpos — subvertia a escolha das pessoas. No entanto, em dezembro de 2024, a Google removeu a proibição destas práticas para os anunciantes, uma medida que o regulador do Reino Unido (ICO) classificou prontamente como irresponsável.
O momento desta implementação surge numa fase de debate regulatório aceso, uma vez que a ICO recomendou recentemente ao governo britânico, a 18 de maio de 2026, que mantenha o consentimento obrigatório para qualquer monitorização que trace perfis entre diferentes serviços online. Como a Google está a passar a responsabilidade de conformidade legal para os anunciantes através da sua Política de Consentimento de Utilizadores da UE, cabe às marcas garantir que obtêm a autorização válida. Para quem navega online, as opções imediatas passam por rejeitar cookies não essenciais nos avisos dos sites e rever as preferências de personalização nas definições da própria conta Google.












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