
A fabricante automóvel Nissan confirmou ter sido alvo de um roubo de dados que afeta diretamente funcionários atuais e ex-colaboradores. O incidente teve origem numa vulnerabilidade explorada por piratas informáticos no software de gestão de recursos humanos da empresa, e os detalhes iniciais foram revelados numa notificação submetida ao Gabinete do Procurador-Geral da Califórnia.
O problema central reside no sistema Oracle PeopleSoft, utilizado pela divisão Nissan Américas para gerir folhas de pagamento, impostos e outros registos de pessoal. O conhecido grupo de extorsão ShinyHunters tirou partido de uma falha zero-day, identificada como CVE-2026-35273, para aceder de forma indevida aos servidores num período compreendido entre 27 de maio e 9 de junho de 2026.
Embora as operações em Portugal e no resto da Europa não constem na lista atual de vítimas, os funcionários no Brasil, Estados Unidos, Canadá e México viram as suas informações comprometidas. Entre os dados acedidos encontram-se números de segurança social, informações de contacto, detalhes bancários e dados sobre dependentes.
Medidas de contenção e mitigação de risco
Após a descoberta da invasão, a Nissan ativou os seus protocolos de resposta a incidentes e contratou especialistas externos em cibersegurança. Para travar a exposição, a empresa restringiu o acesso a recibos de vencimento e a alterações de depósito direto, permitindo estas operações apenas através de computadores da rede interna da empresa ou através de ligações VPN seguras.
Os funcionários afetados terão acesso a serviços gratuitos de monitorização de crédito e alertas na dark web, sendo também implementadas etapas adicionais de verificação de identidade antes de qualquer processamento de salários.
O impacto global no ecossistema empresarial
A falha no PeopleSoft Tools não prejudicou apenas a fabricante automóvel nipónica. Segundo a empresa de segurança Mandiant, mais de uma centena de organizações foram alvo da mesma vaga de ataques, com o setor da educação a ser particularmente atingido. Instituições como a Universidade de Nottingham e a associação NAIC já viram os seus dados publicados na página de fugas de informação dos atacantes.
Os ShinyHunters são conhecidos por focar as suas operações em ambientes de nuvem e parceiros de integração de software. Para as empresas que dependem de infraestruturas de terceiros, este incidente sublinha a exigência crítica de auditar constantemente os sistemas de gestão externa e aplicar controlos de acesso rigorosos aos dados dos seus colaboradores.












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