
A Anthropic acaba de dar um passo de gigante no mundo da investigação com o lançamento do Claude Science. Esta nova plataforma de trabalho baseada em inteligência artificial foi concebida para centralizar as análises computacionais num único ambiente, eliminando a necessidade de os cientistas saltarem constantemente entre bases de dados, ferramentas externas e outros programas de análise específicos.
Uma abordagem diferente para a pesquisa avançada
O sistema não introduz um modelo algorítmico novo no mercado. Em vez disso, tira partido das versões já conhecidas da Anthropic, estando acessível sem grandes restrições para quem já possui as subscrições Pro, Max, Team ou Enterprise. A ideia segue a mesma linha do Claude Code, mas com foco exclusivo nas necessidades do setor científico e laboratorial.
Ao ligar-se a mais de 60 repositórios científicos, a plataforma oferece ferramentas pré-configuradas para áreas complexas como a química, análise de estruturas proteicas e genómica. A ferramenta atua como um coordenador central, conseguindo criar sub-assistentes independentes para gerir etapas diferentes do mesmo projeto. Existe até um sistema de verificação paralelo que escrutina cálculos e citações de forma automática antes de o documento seguir para publicação.
Para entidades com regras rígidas de privacidade, a plataforma permite a execução na própria infraestrutura do cliente, garantindo que a informação sensível da pesquisa não sai dos servidores locais da instituição.
A corrida pelo domínio da ciência gerada por algoritmos
Esta jogada surge no seguimento da iniciativa focada nas ciências da vida apresentada em outubro de 2025, mas mostra um contraste claro com a estratégia dos rivais diretos. A OpenAI, por exemplo, apostou num modelo fechado e direcionado à biologia com o GPT-Rosalind, limitando o acesso a parceiros e clientes empresariais qualificados nos Estados Unidos. Já a Google DeepMind prefere a integração dos seus próprios sistemas proprietários, como o AlphaFold, com dezenas de bases de dados através da plataforma Gemini for Science.
Para os investigadores portugueses e europeus, a acessibilidade mais ampla do Claude Science representa uma clara vantagem competitiva. Num panorama onde as ferramentas da concorrência exigem convites exclusivos ou ficam frequentemente retidas por limitações geográficas, esta abertura permite que os laboratórios nacionais possam conduzir pesquisas avançadas sem entraves burocráticos.
Para incentivar a adoção imediata na comunidade, a empresa iniciou um programa de apoio que vai financiar até meia centena de projetos. As bolsas, orientadas sobretudo para a investigação biomédica de investigadores de pós-doutoramento e pós-graduação, oferecem créditos que rondam os 28 mil euros (cerca de 30 mil dólares) por equipa. Os investigadores têm até ao dia 15 de julho de 2026 para apresentar as suas candidaturas e começar a explorar este novo ecossistema de trabalho.












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