
A Getty Images decidiu abandonar o acordo de fusão com a Shutterstock, avaliado em cerca de 3,4 mil milhões de euros, devido às exigências impostas pelos reguladores do Reino Unido. Segundo a informação partilhada pela empresa num documento submetido à SEC, não existe intenção de aceitar as restrições que obrigariam à venda de partes cruciais do negócio.
O peso das exigências britânicas no mercado global
A Autoridade da Concorrência e Mercados (CMA) do Reino Unido determinou em maio que a Shutterstock teria de vender a sua divisão editorial global para que o negócio avançasse, o que abrange as conhecidas agências Backgrid e Splash. Esta condição revelou-se inaceitável para a Getty, levando o conselho de administração a votar de forma unânime pelo término do acordo a 6 de julho, assumindo que não ocorram alterações materiais até ao dia 7 de julho.
A decisão de recuar contrasta diretamente com a posição adotada nos Estados Unidos, onde o Departamento de Justiça concedeu luz verde ao negócio sem qualquer tipo de restrição antitrust logo em fevereiro.
A concorrência da inteligência artificial e os precedentes
A tentativa de unir as duas plataformas de fotografia acontecia numa altura em que ambas enfrentam uma forte concorrência dos geradores de imagens por IA, capazes de fornecer conteúdos multimédia de forma rápida e económica a pedido. O bloqueio indireto desta operação sublinha a influência determinante dos reguladores europeus e britânicos sobre as grandes consolidações tecnológicas mundiais.
Este cenário de intervenção não é inédito no setor digital. Em 2021, a Meta foi forçada a alienar a Giphy por preocupações semelhantes com a concorrência, uma plataforma que acabou por ser adquirida precisamente pela Shutterstock em 2023. Para os criadores de conteúdo e consumidores portugueses e europeus, o fracasso desta fusão dita que as duas gigantes continuarão a operar como rivais diretas, mantendo a competitividade na oferta de licenças de imagem num mercado em rápida e constante transformação.












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