
Ninguém gosta de pagar mais pelos mesmos equipamentos, mas essa é a nova realidade no mercado tecnológico. A Apple foi a primeira grande fabricante a admitir publicamente o que o setor já sentia nos bastidores: os componentes estão muito mais caros. Segundo detalha o portal SammyGuru, esta justificação aberta serve agora de escudo perfeito para a Samsung, que ganha margem de manobra para justificar as suas próprias subidas de preço ao consumidor final.
Há poucos dias, o custo de vários computadores Mac, tablets iPad, Apple TV e colunas HomePod sofreu um agravamento que chegou a atingir os 300 dólares (um valor que, convertido e com os pesados impostos do mercado português aplicados, pode representar aumentos bem superiores a 300 euros nas lojas nacionais). Tim Cook justificou a medida com as condições inevitáveis do mercado. A marca sul-coreana já tinha testado este terreno no início do ano. Dispositivos como o Galaxy Z Flip 7 e o Tab S11 Ultra viram os seus preços subir discretamente meses após o lançamento, sem qualquer explicação oficial.
A febre da inteligência artificial inflaciona a memória
O verdadeiro culpado desta escalada de valores não reside na ganância isolada das fabricantes de telemóveis, mas sim na explosão da inteligência artificial. As empresas que desenvolvem infraestruturas de IA estão a comprar quantidades colossais de memória DRAM avançada e de alta largura de banda. Para as fornecedoras de chips, estes gigantes tecnológicos tornaram-se clientes muito mais apetecíveis e lucrativos.
Como resultado direto, os contratos de memória DRAM quase duplicaram este ano, enquanto a memória LPDDR registou aumentos dramáticos. As marcas de telemóveis, que dependem exatamente das mesmas linhas de produção para equipar topos de gama, tablets e dobráveis, vêem-se obrigadas a competir por componentes escassos e altamente inflacionados.
O impacto nos próximos lançamentos Galaxy
O calendário agrava a situação para quem está a pensar trocar de telemóvel. O próximo evento Galaxy Unpacked deverá apresentar o Galaxy Z Fold 8, o Galaxy Z Fold 8 Ultra, o Galaxy Z Flip 8, novos relógios inteligentes e, possivelmente, os primeiros óculos inteligentes da fabricante. Estes lançamentos chegam no momento mais dispendioso dos últimos anos para a produção de hardware móvel.
Com atualizações de peso a caminho — que incluem baterias maiores, carregamento mais rápido e ecrãs com maior brilho — manter os preços inalterados tornou-se uma missão quase impossível. Embora a marca possa recorrer a campanhas de retoma agressivas ou à oferta de acessórios para atenuar o choque visual do preço na prateleira, a fatura final da produção tem de ser paga. Se os próximos iPhone também encarecerem como muitos esperam, a última âncora de preços da indústria desaparece de vez, obrigando os consumidores a lidar com gadgets cada vez mais caros para sustentar a revolução da inteligência artificial.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!