
A delegação de tarefas a assistentes virtuais ultrapassou a esfera profissional e invadiu o campo das relações humanas. Segundo um artigo do TechCrunch, vários utilizadores começaram a empregar agentes autónomos para gerir as suas vidas amorosas, recorrendo a scripts complexos para atrair parceiros, planear saídas ou até mesmo terminar relacionamentos.
Automação de encontros durante o Mundial
Um dos casos mais insólitos envolve Ben Guez, um criador de conteúdos que configurou o OpenClaw para monitorizar os resultados dos jogos de futebol. Sempre que uma seleção perde uma partida, o sistema aciona o modelo Claude para gerar e publicar automaticamente um vídeo no Instagram. A publicação segue um modelo fixo onde o criador simula tristeza pela derrota do país em questão e oferece apoio emocional nas mensagens privadas.

A estratégia resultou em mais de um milhão de visualizações e centenas de mensagens recebidas em poucos dias. Para os leitores portugueses que acompanham de perto o torneio de 2026, este é um lembrete claro de como a febre do desporto está a ser instrumentalizada nas redes sociais para gerar interação automatizada. A tática vai ainda mais longe, exigindo que as interações ocorram através da própria aplicação de aprendizagem de idiomas do criador, o que levanta questões sobre a transparência e a autenticidade destas conversas iniciais.
Privacidade e limites da gestão emocional
A utilização destas ferramentas não se fica pela criação de publicações virais. Alguns utilizadores estão a recorrer a estes sistemas para encontrar restaurantes e locais para primeiros encontros, delegando a pesquisa e o planeamento logístico aos robôs. Num extremo mais controverso, há relatos de pessoas que programam mensagens de término de relações para serem enviadas a horas aleatórias, eliminando a ansiedade do confronto direto.
Entregar o controlo unilateral de contas pessoais a um assistente apresenta riscos significativos para a privacidade dos consumidores. Lazer Cohen, fundador de uma alternativa tecnológica chamada NanoClaw, alerta que o acesso a dados privados sem supervisão humana contínua pode resultar na criação não autorizada de perfis em plataformas de encontros ou na exposição de conversas íntimas. A comodidade de evitar o planeamento de uma saída ou de não ter de pensar numa mensagem de despedida pode ter um custo digital bastante alto, transformando a comunicação interpessoal num processo mecânico e suscetível a falhas de segurança.












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