
A startup Mirendil conseguiu levantar cerca de 188 milhões de euros antes mesmo de colocar o seu primeiro produto no mercado, atingindo uma avaliação de quase 940 milhões de euros. Segundo avançou o The Next Web, o objetivo da empresa passa por democratizar o acesso a sistemas capazes de desenhar e treinar outros modelos de forma autónoma.
Esta injeção de capital foi liderada por fundos de investimento de renome, como a Andreessen Horowitz e a Kleiner Perkins, e contou com a participação estratégica da Nvidia. A equipa fundadora é composta por cerca de 20 antigos engenheiros da Anthropic, Google DeepMind e OpenAI, incluindo Behnam Neyshabur e Harsh Mehta, que abandonaram os seus cargos no final de 2025, logo após a chegada do modelo Claude 4.5 Opus.
O fim do monopólio no treino de modelos
Atualmente, os grandes laboratórios de investigação utilizam ferramentas internas para acelerar o aperfeiçoamento dos seus próprios sistemas, proibindo contratualmente que clientes externos façam o mesmo. O plano de Mehta, que ajudou a construir a infraestrutura original da sua antiga empregadora, é quebrar esta barreira e vender uma plataforma que automatize o trabalho do próprio investigador.
Para o mercado europeu e para as empresas em Portugal, esta abertura pode representar um ponto de viragem prático. Significa que uma universidade nacional ou uma pequena startup de biotecnologia poderia utilizar a tecnologia da Mirendil para conceber previsões complexas de doenças, como o Alzheimer, num espaço de dias. O que tradicionalmente exigiria uma equipa massiva de cientistas de dados e meses de testes experimentais, passa a estar acessível a estruturas mais reduzidas e com menos recursos financeiros.
Um mercado a valer mais de um bilião de euros
O investimento na Mirendil surge numa altura de euforia no setor, com as infraestruturas a gerarem cerca de 190 mil milhões de euros em capital de risco apenas ao longo de 2025. As estimativas apontam para que as receitas deste segmento de mercado possam ultrapassar a marca de um bilião de euros até 2030.
A nova empresa entra num campo altamente competitivo, disputando a atenção dos investidores com outros projetos bilionários fundados por veteranos da indústria, como a Safe Superintelligence de Ilya Sutskever e a Thinking Machines Lab de Mira Murati. Contudo, ao focar-se exclusivamente na camada de automação de pesquisa, a Mirendil posiciona-se num nicho semelhante ao da Periodic Labs, afastando-se da corrida pela inteligência pura, com a promessa de fazer chegar o seu primeiro produto aos utilizadores durante os próximos meses.












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