
A crescente adoção da Inteligência Artificial está a obrigar as empresas da União Europeia a reavaliar os seus investimentos em cibersegurança. Um estudo recente do Kaspersky Internal Research Center coloca as vulnerabilidades associadas a esta tecnologia entre os cinco principais riscos identificados pelas organizações na Europa.
Os dados revelam que 14% dos decisores de TI e segurança apontam a IA como uma ameaça prioritária. Este valor posiciona a tecnologia logo atrás de perigos tradicionais como ataques de phishing (22%), campanhas massivas de malware (19%), ransomware (16%) e exploração de vulnerabilidades de software (15%).
O impacto da Shadow AI
As preocupações não chegam apenas através de ataques exteriores. O uso não supervisionado de plataformas de terceiros, como o ChatGPT ou o DeepSeek, pelos trabalhadores para fins profissionais gerou um novo fenómeno de risco conhecido como Shadow AI. Cerca de 36% dos inquiridos destacam este comportamento como um perigo frequente para a fuga de informação confidencial.
Na lista de riscos internos seguem-se a gestão irresponsável de palavras-passe (35%) e o uso de dispositivos pessoais para tarefas de trabalho e armazenamento de dados corporativos (31%). Para mitigar as falhas, 70% das empresas europeias já permitem o recurso a ferramentas externas de IA, mas com restrições técnicas e proibições de partilha de documentos internos. Uma fatia de 21% autoriza o uso sem limites técnicos, confiando apenas em políticas internas, e 8% optam pela proibição total.
Adoção interna e proteção ativa
O reconhecimento do perigo não abrandou a adoção corporativa. Atualmente, 83% das organizações avaliam, desenvolvem ou implementam ferramentas internas baseadas em Large Language Models (LLM). Destas, 14% confirmam ter soluções integradas nos seus negócios para aumentar a eficiência, melhorar o serviço ao cliente e reduzir falhas humanas.
Segundo Vladislav Tushkanov, Group Manager do Kaspersky AI Technology Research Center, a proteção eficaz exige soluções abrangentes que utilizem a própria IA a favor da defesa. A Kaspersky aconselha a implementação de sistemas de deteção e resposta em tempo real, complementados por plataformas de inteligência de ameaças capazes de processar grandes volumes de dados de forma automatizada para apoiar decisões mais rápidas.







Nenhum comentário
Seja o primeiro!