
Os administradores de sistemas que utilizam a plataforma ShareFile receberam um aviso de emergência para desligar de imediato os seus servidores locais. A Progress Software emitiu este alerta urgente após detetar uma ameaça de segurança externa direcionada para o software de partilha de ficheiros corporativo, conforme avançou o BleepingComputer.
A anomalia afeta os Storage Zone Controllers, uma ferramenta que permite às organizações alojar documentos em infraestruturas locais baseadas no sistema Windows. Embora a autenticação e a gestão de utilizadores dependam inteiramente da nuvem da ShareFile, a transferência direta dos ficheiros é processada nestas máquinas específicas, que habitualmente se encontram expostas à internet para viabilizar o acesso externo.
Desconexão remota revelou-se insuficiente
A tecnológica optou por desativar o acesso remoto às contas integradas com os controladores sob risco. Esta ação preventiva aplicada na nuvem acabou por revelar-se insuficiente para conter o perigo detetado, o que levou a empresa a exigir uma intervenção manual direta por parte das equipas técnicas para suspender a atividade das máquinas físicas e blindar a integridade da informação.
A página oficial de estado do serviço passou a exibir um aviso esclarecendo que os clientes do ShareFile que dependem destes controladores locais não se encontram operacionais. Até ao momento, a Progress Software não divulgou se a situação envolve a exploração de uma vulnerabilidade de dia zero ou se existem servidores comprometidos, optando por manter os detalhes técnicos sob reserva.
Histórico de ataques eleva preocupações no setor
Os investigadores não encontraram, para já, indícios de acessos não autorizados ou de exfiltração de dados confidenciais pertencentes aos clientes. A fabricante encontra-se atualmente a colaborar com especialistas de cibersegurança internos e externos para apurar os meandros da situação, tendo assumido o compromisso de partilhar uma nova atualização com o mercado num prazo de 24 horas.
Este incidente reacendeu os alarmes na comunidade de segurança informática, lembrando episódios severos que envolveram o portefólio da mesma marca. Em 2023, o grupo de extorsão cibernética Clop explorou com sucesso uma vulnerabilidade crítica noutro produto da empresa, o MOVEit Transfer, afetando milhares de organizações à escala global numa campanha massiva.
Para os responsáveis de engenharia informática em Portugal que gerem este tipo de implementação híbrida, a recomendação passa por aplicar estritamente a diretiva de isolamento até à disponibilização de uma correção. Sistemas expostos à rede pública continuam na linha de mira dos cibercriminosos, o que prova que qualquer falha na configuração ou monitorização de ativos críticos pode expor faturas, contratos e segredos de negócio a investidas externas.












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