
Investigadores de segurança detetaram seis vulnerabilidades críticas no U-Boot, um dos bootloaders de código aberto mais utilizados a nível mundial. Segundo a investigação publicada pela Binarly, as falhas permitem a execução de código malicioso durante o arranque dos dispositivos, comprometendo proteções nativas e facilitando a instalação de malware persistente.
O impacto na verificação FIT
O U-Boot é responsável por carregar o sistema operativo em inúmeros equipamentos embutidos com Linux, abrangendo controladores de gestão de placas-mãe (BMCs) em servidores empresariais, sistemas industriais e aparelhos IoT. O problema reside especificamente no código de verificação de assinaturas FIT (Flattened Image Tree). Esta funcionalidade, conhecida como Verified Boot, tem a função de garantir que apenas imagens de firmware com uma chave de confiança são carregadas.
A equipa identificou problemas estruturais que variam desde a negação de serviço (DoS) até à execução arbitrária de código ao verificar uma imagem não confiável. As falhas BRLY-2026-037 e BRLY-2026-038 permitem a execução de código e a corrupção de memória durante a validação da assinatura de firmware. Os restantes quatro defeitos (BRLY-2026-039 a BRLY-2026-042) provocam a quebra do bootloader através de leituras fora dos limites, desreferência de ponteiros nulos, validação inadequada de dados externos e uma recursão ilimitada capaz de esgotar a memória da pilha.
Correções dependem dos fabricantes
A exploração destas vulnerabilidades ocorre antes de o sistema operativo iniciar as suas defesas. Os atacantes conseguem desativar as ferramentas de segurança do firmware e obter um nível de acesso profundo ao hardware, tornando a deteção da ameaça extremamente complexa. A exploração não exige sempre acesso físico ao equipamento. Num sistema BMC que suporte atualizações remotas, um invasor com acesso à interface de gestão pode submeter uma imagem manipulada para contornar o bloqueio.
A maior parte do código afetado está presente desde a versão 2013.07 do U-Boot, o que impacta mais de 50 lançamentos estáveis do projeto ao longo dos anos. Os programadores do repositório original já aceitaram as correções submetidas para a base de código. A resolução definitiva no mercado exige agora que cada fabricante integre estas reparações nas suas próprias atualizações de firmware, o que deixa dispositivos mais antigos ou descontinuados permanentemente vulneráveis a este vetor de ataque.












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