
A reprodução de conteúdos em HDR (High Dynamic Range) pode proporcionar imagens deslumbrantes graças aos elevados níveis de brilho e contrastes de cor. Contudo, um dos grandes problemas da tecnologia atual reside na enorme variação visual que ocorre quando o mesmo vídeo é reproduzido em diferentes dispositivos. Uma cena com um aspeto fantástico numa televisão topo de gama pode sofrer com sombras sem detalhe num telemóvel ou apresentar luzes estouradas numa sala escura. É precisamente para resolver esta falta de uniformidade que a Google desenvolveu o Eclipsa Video.
O formato surge como uma solução aberta que visa garantir que os conteúdos em HDR sejam reproduzidos de forma previsível e consistente, independentemente do ecrã utilizado, da aplicação ou das condições de iluminação ambiental. A marca descreve o padrão como uma forma de tornar o HDR "consistente, equilibrado e confortável em todos os ecrãs". Trata-se, na verdade, da designação comercial atribuída pela Google ao protocolo técnico SMPTE ST 2094-50, criado em parceria com a Apple e a NBCUniversal, conforme detalhado no boletim de segurança publicado no Android Developers Blog.
Como funciona o Eclipsa Video
O novo formato combate a imprevisibilidade do HDR através da introdução de instruções mais flexíveis para os painéis, controlando a forma como estes gerem o brilho, o contraste e os destaques dinâmicos à medida que o vídeo avança. O sistema tem em conta as capacidades específicas de cada ecrã e, em equipamentos compatíveis, consegue ajustar a imagem com base na luz ambiente do espaço onde o utilizador se encontra. O objetivo é mitigar defeitos crónicos como sombras esmagadas, realces cortados, tons lavados e picos abruptos de luminosidade, permitindo ainda a coexistência harmoniosa de conteúdos HDR e SDR no mesmo ecrã.
Para alcançar este equilíbrio, o Eclipsa Video recorre a dois tipos de metadados inteligentes:
Âncora de referência branca: Estabelece uma linha de base para mapear os elementos mais brilhantes dos conteúdos em SDR, reservando uma margem de brilho adicional para as secções em HDR.
Curvas de ganho adaptáveis à margem (headroom-adaptive): Permitem aos criadores de conteúdos incluir instruções personalizadas no próprio ficheiro. Se um determinado ecrã não conseguir atingir o pico de brilho exigido pelo vídeo, estes metadados orientam o hardware sobre como proceder para obter o melhor efeito visual possível.
O embate com o Dolby Vision e o HDR10
A abordagem do Eclipsa Video assemelha-se à do Dolby Vision no que toca à utilização de metadados dinâmicos para adaptar a imagem frame a frame. No entanto, o HDR10 tradicional é menos flexível, uma vez que aplica apenas um conjunto de instruções estáticas para a totalidade do vídeo (embora a variante mais recente, HDR10+, já utilize metadados dinâmicos).
O grande fator de diferenciação reside no modelo de licenciamento. Enquanto o Dolby Vision é um formato proprietário e fechado, tanto o Eclipsa Video como o HDR10 baseiam-se em padrões abertos da indústria.
O suporte nativo para o Eclipsa Video (tanto para gravação como para reprodução) vai ser integrado no ecossistema do Android 17, estando prevista a sua chegada a telemóveis, tablets e televisões. À semelhança de qualquer outro formato de vídeo, a sua adoção em larga escala no mercado dependerá da aceitação por parte dos fabricantes de hardware, das plataformas de streaming e dos produtores de conteúdos.












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