
A ascensão da inteligência artificial está a redefinir a forma como os internautas navegam na internet, afetando diretamente os motores de busca tradicionais. Segundo um estudo recente publicado no arXiv por investigadores da Universidade Bocconi, o ecossistema digital está a sofrer uma alteração visível na alocação de tráfego. Os dados revelam que o ChatGPT direcionou utilizadores para sites externos em 5,2% das sessões analisadas, contrastando com os 31,1% registados nas pesquisas convencionais da Google.
Embora a taxa de cliques por consulta na plataforma da OpenAI continue abaixo da gigante de Mountain View, o impacto no comportamento de pesquisa já se faz notar. Com a expansão gradual do acesso ao ChatGPT Search — disponibilizado para utilizadores pagos em outubro de 2024, utilizadores gratuitos em dezembro do mesmo ano e utilizadores anónimos em fevereiro de 2025 —, o volume de pesquisas em motores tradicionais registou uma quebra semanal imediata de 9,4%. Este declínio acentuou-se ao longo do tempo, atingindo uma redução de 17% após 20 semanas de utilização ativa.
Mudança no perfil dos sites visitados
Os investigadores observaram que o tipo de plataformas que beneficiam das referências do robô de conversação da OpenAI difere substancialmente do perfil habitual de tráfego enviado pela Google. Enquanto a líder de mercado encaminha a maioria dos seus utilizadores para destinos populares e consolidados como o YouTube, o Reddit ou a Wikipedia, o ChatGPT tende a privilegiar plataformas mais pequenas e especializadas.
Entre os principais beneficiários deste novo modelo encontram-se fóruns académicos, plataformas de desenvolvimento de software, ferramentas digitais e serviços assentes em subscrições ou modelos híbridos (freemium). Por outro lado, as páginas financiadas maioritariamente por publicidade registaram uma quebra expressiva, recebendo menos 27,6 pontos percentuais de tráfego de referência quando comparadas com as visitas oriundas de pesquisas tradicionais. Esta tendência indica que a inteligência artificial afasta os utilizadores dos canais tradicionais de anúncios.
Pesquisas informativas sofrem o maior impacto
A análise baseada em dados de navegação para computadores nos Estados Unidos destaca que a maior contração ocorreu nas pesquisas de caráter informativo. As referências para investigação académica sofreram uma quebra drástica de 32,8%, enquanto os sites de referência e consulta geral registaram uma descida de 26,5%. Curiosamente, as procuras associadas a fins recreativos ou transações comerciais praticamente não sofreram alterações, sugerindo que os utilizadores continuam a preferir os métodos tradicionais para fazer compras ou procurar entretenimento online.
A alteração de hábitos levanta questões cruciais sobre a sustentabilidade a longo prazo para os criadores de conteúdos digitais. Perante este cenário onde a Google perde espaço de forma sustentada e o ChatGPT se assume como intermediário direto da informação, a motivação para continuar a publicar conteúdos abertos poderá ser afetada se as visitas continuarem a diminuir. Para uma compreensão total deste fenómeno, o mercado aguarda agora por dados que incluam a navegação em dispositivos móveis e o impacto financeiro real noutras geografias fora do mercado norte-americano.












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