
O TikTok anunciou que vai iniciar uma fase de testes focada em melhorar os seus sistemas de deteção de contas que publicam spam automatizado. A medida surge no seguimento de preocupações crescentes sobre o impacto de conteúdos inautênticos na plataforma, concentrando-se em áreas sensíveis como a política, notícias da atualidade, conselhos financeiros e informações médicas.
Segundo a rede social, a triagem e aplicação das novas medidas serão efetuadas ao nível da conta. O TikTok sublinhou que já remove perfis falsos em larga escala, tendo desmantelado mais de 86 milhões de contas falsas apenas nos primeiros três meses deste ano. A escolha do setor da saúde como prioridade ganha força após um relatório da Kapwing revelar que o bem-estar é uma das categorias com maior volume de publicações geradas por inteligência artificial, superando os vídeos onde os criadores aparecem em frente à câmara.
O setor tecnológico contra o spam automatizado
A iniciativa da plataforma de vídeos faz parte de um movimento mais amplo da indústria para assegurar a autenticidade dos conteúdos na internet. No ano passado, o YouTube atualizou as suas diretrizes de monetização para travar vídeos repetitivos e inautênticos, uma estratégia que a Meta também adotou pouco depois. Já a Google publicou uma investigação sobre um sistema dedicado a eliminar grupos coordenados de perfis que espalham publicações automáticas.
Para além dos testes de mitigação, o TikTok garantiu um lugar no comité de direção da Coalition for Content Provenance and Authenticity (C2PA). Esta organização é a responsável pelo desenvolvimento do padrão digital que rastreia a origem e as modificações feitas em ficheiros multimédia.
Rastreabilidade e o impacto para os criadores
Como primeira plataforma de vídeo a implementar as credenciais de conteúdo da C2PA, há dois anos, o TikTok pretende usar a sua posição no comité para impulsionar a adoção desta tecnologia no mercado. A empresa revelou que já identificou mais de 3 mil milhões de vídeos como conteúdo gerado por inteligência artificial, recorrendo a marcas de água invisíveis, etiquetas de criadores e metadados.
Ainda não foram detalhados os critérios exatos para classificar as contas suspeitas, nem as penalizações aplicadas após a deteção. No entanto, os criadores portugueses que partilham conteúdos sobre finanças, saúde ou política devem ficar atentos, uma vez que a rede social vai reforçar a vigilância nestes temas específicos já nas próximas semanas.












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