
A Netflix oficializou a aquisição da InterPositive, uma empresa focada em tecnologia de inteligência artificial cofundada pelo ator e realizador Ben Affleck. Segundo um documento regulatório divulgado pela SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA), o negócio custou cerca de 540 milhões de euros (587 milhões de dólares) e foi realizado totalmente em dinheiro.
O fecho do negócio e o papel do realizador
O anúncio inicial da compra ocorreu em março, mas os detalhes financeiros tinham permanecido confidenciais. Na altura, um relatório da Bloomberg chegou a estimar que o acordo poderia atingir os 600 milhões de dólares. Agora, o novo preenchimento financeiro confirma o valor exato pago pela gigante do streaming para integrar a InterPositive nas suas operações.
Em declarações partilhadas aquando da aquisição, Ben Affleck explicou que o principal objetivo da sua iniciativa é "proteger o poder da criatividade humana". Com a concretização do negócio, toda a equipa da InterPositive transita para a estrutura da empresa de entretenimento, e o próprio ator assume funções como conselheiro sénior.
O impacto prático na produção audiovisual
A tecnologia desenvolvida pela startup destina-se especificamente ao trabalho de pós-produção cinematográfica. As ferramentas criadas ajudam os profissionais a resolver desafios práticos que surgem durante as gravações, facilitando processos como a compensação de planos em falta, a substituição de cenários de fundo e a correção de iluminação inadequada. O sistema centra-se na melhoria e otimização das filmagens reais em vez da geração de vídeo a partir do zero.
O interesse da indústria por este tipo de soluções tem vindo a crescer e já se reflete no catálogo da empresa norte-americana. No seu mais recente relatório de ganhos, a companhia revelou que a inteligência artificial generativa foi aplicada em cerca de 300 dos seus títulos. Para o mercado português e europeu, onde a produção de conteúdos enfrenta orçamentos frequentemente mais contidos, a expansão destas ferramentas de correção pode ditar uma mudança profunda na forma como os estúdios gerem os custos imprevistos e otimizam o tempo de pós-produção nos próximos anos.












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